Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/03/2020
Espetáculo refere-se a uma prática teatral antiga, fictícia, para induzir emoção ao público. Quando a mídia brasileira, cuja função é informar, faz uso desse conceito, ela não apenas cai em contradição, como também produz na sociedade os efeitos negativos de banalizar a violência e distorcer eventos para seu próprio proveito.
Na psicologia, a frase “experiência repetida” é sinônimo de apresentar uma ideia ou objeto várias vezes para alguém de modo que aquele esteja associado a algo positivo. A mídia, quando almeja o sensacionalismo, reproduz esse fenômeno ao apresentar notícias de temas violentos constantemente, o que torna o telespectador dessensibilizado pela violência aos poucos e torna-o habituado a assistir o mesmo programa.
Outro truque que programas midiáticos do Brasil usam é a inserção de comentários próprios em notícias virais. Tal como o massacre da escola de Realengo, muitos programas fizeram uma cobertura de modo a especular as causas que levaram o criminoso a cometer tal ato, como a influência de filmes e jogos, sem saber a verdade de fato. Boa parte do público toma essas inserções como fato, distorcendo a verdade, apenas para gerar discussões e visualizações para a rede de televisão.
No mundo competitivo e e capitalista de hoje, pessoas e empresas precisam fazer uso de táticas cada vez mais variadas para conseguir se destacarem. O sensacionalismo da violência brasileira é uma delas. O problema: ela transforma um meio informativo e um mercado ou indústria de notícias, que se preocupa mais com o lucro e menos com vício ou corrosão do compasso moral que essa prática tende a causar a longo prazo. Pela liberdade de expressão, a mídia tem o direito de apresentar seus programas de tal forma, mas o público deve ser cauteloso da espetaculizarão midiática e evitá-la, valorizando notícias de cunho informativo. Sem a atenção e valorização do público pelo sensacionalismo, a espetacularização da violencia tornar-se-à escassa e inútil, como de fato é para a ética moral e a verdade.