Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/03/2020

Em outubro de 2008, o Caso Eloá foi acompanhado de perto por todas as mídias televisivas e imprensas do Brasil. Para que a conjuntura do crime causasse mais audiência, os jornais asseguraram-se a realizar um alcance durante todo o caso, efetuando, inclusive, contatos com o sequestrador a partir de entrevistas em rede nacional. Em síntese, a divulgação da violência pela mídia pode acarretar em grandes mudanças de valores implantados na sociedade.

Sob esse viés, a maneira como é exibida uma situação determina sua implicação no comportamento de indivíduos, especialmente relacionado à criança. Campanhas de ódio ou a romantização da violência acentuam as características de “recompensa” da agressão extrema. As crianças, em geral, não têm capacidade para distinguir entre realidade e ficção. Se as crianças ficam permanentemente expostas a mensagens que promovem a violência como uma atitude adequada para resolver problemas ou adquirir status, torna-se muito alto o risco de que elas venham a aprender sobre essas atitudes e padrões de comportamento.

Ademais, é importante afirmar que é relevante que a população seja informada sobre as barbaridades que são cometidas contra pessoas comuns, pois isto, de alguma forma, pode contribuir para que determinados crimes sejam solucionados. Entretanto, glorificar a morte para trazer audiência, mostrando cenas explícitas de homicídios, não exerce a amostra de uma conduta humana, mas a brutalização do homem ao não solidarizar-se com a dor alheia.

Com base na apresentação dos fatos acima, salienta-se de que a má exibição da violência pela mídia causa diversos fatores maleáveis a população. Por isso, o Poder Legislativo deve aprimorar a intensificação de leis que visam a proibição de cenas que envolvem detalhes da cena de algum crime, objetivando o anonimato da vitima em rede nacional. Alem disso, o redes de televisão devem cancelar desenhos que incitam a violência em horário nacional. Assim, a mídia voltará a ser recurso ilustre.