Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 09/03/2020
O livro do jornalista George Orwell, “1984”, aborda uma realidade distópica em que os comportamentos e pensamentos humanos são manipulados em consonância as vontades de um governo autoritário utilizando as televisões. Nessa óptica, a assimilação desse cenário, em que a mídia amedronta e desrespeita os telespectadores para ganhar audiência, sucede-se pela ausência de mecanismos regulatórios sobre esses abusos midiáticos. A partir disso, observa-se as políticas públicas regulamentadoras como medidas preferíveis frente às consequências espetacularização da violência pelos canais de informativos brasileiros.
Nesse contexto, o escritor Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, concebe a linguagem da conjuntura dos meios informativos de comunicação como principal influenciadora do comportamento social. Por esse panorama, por exemplo, os jornais televisivos de cunho apelativo, os quais amedrontam a população com a apresentação de mortes ao vivo e comentários sensacionalistas sobre as ocorrências, são uma demonstração da manipulação midiática, a qual tem como fim o ibope e, por conseguinte, causa o terror social de modo que os indivíduos tenham medo de saírem de casa. Dessa maneira, a forma com que a informação é passada cria uma espetacularização da violência influenciando o pensamento e o comportamento do tecido social.
Ademais, segundo o estudo da Associação Brasileira de Jornalistas pelo Instituto Ibope, em 2018, as pontuações de audiência dos jornais televisivos sensacionalistas cresceram mais nos últimos cinco anos quando em comparação aos noticiários profissionais e éticos. Mediante esse dado, nota-se a assimilação do cenário da obra “1984”, em que a mídia manipula com a sensacionalização dos fatos para “prender” a audiência. Dessa forma, a regulamentação do meio jornalístico é urgente, não para censurar, mas com o intuito de modulá-la para evitar excessos.
Portanto, é dever do Estado utilizar-se da sua esfera legislativa para promover limitações e ajustes aos canais de notícias com a intenção de evitar o terror social generalizado. Sendo assim, cabe ao Ministério da Cidadania a elaboração de um projeto de lei, o qual será entregue ao Congresso Nacional, regulamentador dos veículos jornalísticos, deve ser desenvolvido por especialistas em Comunicação Social das Universidades Federais brasileiras por meio de contrato técnico colaborativo. Desse modo, tem-se o objetivo de utilizar políticas públicas regulamentadoras para mitigar as consequências sociais da espetacularização da violência pela mídia brasilleira e, por consequência, proteger a sociedade.