Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 10/03/2020

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil ocupa os primeiros lugares no ranking mundial quando o assunto é: violência. Não é de hoje que as promessas de atitudes acertivas; leis mais severas e políticas públicas mais eficientes se restringem as épocas eletivas governamentais. O jornal El País, destaca que o cidadão brasileiro se sente cada vez mais inseguro. As informações são obtidas em um clique e a violência é notícia de destaque em todos os veículos midiáticos, diariamente. Há muitas variantes neste cenário brasileiro: as especulações em busca de audiência, o perfil do telespectador em constante mudança e a falta de segurança são fatores que contribuem para o clima amistoso de incentivo a divulgação e aumento da violência.

As mídias têm um papel fundamental na formação de opinião dos brasileiros, e, em determinados momentos, ultrapassam a linha tênue de uma simples informação para um exagero de fatos em busca de audiência. Incentivando ou disseminando a violência, a verdade é que as informações vêm com o propósito de estimular a curiosidade de quem assiste. Nas redes sociais, por exemplo, facilmente as pessoas têm acesso a homicídios, pedofilias, suicídios e outros crimes, sem nenhuma cerimônia.

A insensibilidade das pessoas vêm como resposta desse cenário, elas se mostram mais inertes aos acontecimentos. Os crimes são superexpostos, acontecem todos os dias: homicídios, furtos, suicídios e as pessoas estão com os celulares em mãos para não perderem a oportunidade de registrar o fato. A banalização e naturalização dos crimes vêm como consequência da espetacularização da violência, e, muitas vezes, da forma como os meios de telecomunicação expõem, criminosos acabam se tornando os protagonistas de histórias que enfatizam ainda mais o seu delito.

O governo precisa atuar de forma mais efetiva no combate a violência e no palco que se tornaram os jornais, as redes sociais e os programas brasileiros. Líderes políticos têm a responsabilidade de incentivar a paz com políticas públicas eficientes e punir severamente o discurso de ódio, a difamação, a propagação e o incentivo ao crime.

Diante disso, as atitudes devem ser voltadas para a fiscalização dos noticiários e forma pelas quais  são veiculados, aos programas que incitam a violência, aos crimes que são cometidos na internet e na efetiva aplicação das leis, pois, conforme a Constituição, a segurança pública deve ser garantida aos cidadãos e toda e qualquer forma de incentivo, apologia e disseminação da violência devem ser severamente combatidos.