Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 11/03/2020
A espetacularização, a qual remonta ao teatral e ao fictício já constitui em si incompatível com a essência objetiva, marcada pelo sentido denotativo e pela função referencial da linguagem do meio jornalístico. Entretanto, a atual união desses dois elemento imiscíveis por uma mídia, ás vezes muito minuciosa e geradora da glorificação de criminosos, além de propiciar a banalização da violência, pode corresponder a um incentivo para que outros indivíduos reproduzam a mesma atitude. Nesse sentido, fatores de ordem apelativa e social caracterizam a problemática.
É importante pontuar, de início, o caráter extremamente violento de alguns lugares do Brasil ratificado pelos altos índices de assassinatos ou morte decorrentes da violência urbana, comparáveis aos de países em guerra. Com isso, a falta de critério dos veículos de comunicação, muitas vezes na busca desenfreada de atrair a atenção do público, pode causar desconfortos e passar a se tornar doentio por conta da divulgação de conteúdos impróprios e sensíveis. Ademais, em outros casos, esse comportamento da imprensa pode levar à banalização da vida e de atos violentos. Prova disso foi a exposição da imagem de um jovem negro que foi amarrado a um poste por “justiceiros” em diversos canais de telejornal.
Outrossim, vale ressaltar o amplo poder de influência da mídia sobre a população como mais um fator que revela a importância do cuidado quanto à maneira como muitas notícias são apresentadas. Consoante ocorreu na Inglaterra um aumento de casos de suicídio com a difusão de um livro em que um jovem chamado Wether tirava a própria vida devido a um amor não correspondido, a exposição muito detalhada de como um crime foi cometido pode ter o mesmo efeito fomentador. Logo, diante de tantas consequência negativas de uma imprensa espetacularizada, faz-se mister a adoção de medidas para reverter esse cenário.
É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho social e apelativo na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo Federal, em parceria com a sociedade, o papel de definir um acordo que determine limites da divulgação de cenas violentas e estabeleça a formulação de uma lei que proíba o alto detalhamento de assassinatos e crimes no geral, com o fito de evitar que outras indivíduos repitam os mesmo passos e de pôr fim à glorificação de criminosos. Tal medida pode ser efetuada por meio de um plebiscito nacional em que a população escolhe se essa lei formulada deve ser sancionada ou vetada. Poder-se-á, assim, combater a espetacularização da violência na mídia e restabelecer o caráter objetivo, denotativo e referencial do meio jornalístico.