Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/03/2020

“Só falta alguém espremer o jornal para sair sangue”. A priori, a música “Jornal da morte”, de Roberto Silva, mostra a preferência por difundir a violências dos meio jornalísticos. Desse modo, é notória a problemática da espetacularização da violência, conjuntamente com o surgimento de consequências sociais, como no desfecho dos casos e a banalização das atitudes brutais.

Em primeira analise, é licito postular como a ambição por atrair o público, através de tais informações, pode influenciar negativamente no desfecho dos casos. Diante disso, vale a analise apresentada pelo documentário “Quem matou Eloa?”, o qual evidencia como a intervenção abusiva das mídias transformou, através de entrevistas ao vivo com o assassino- atordoado psicologicamente-, uma séria situação em uma novela da vida real, onde infelizmente, o final foi trágico. Nesse sentido, nota-se a falta de limites desses meios.

Por conseguinte, é necessário ressaltar como a crueldade se tornou algo trivial. De acordo com o médico Drauzio Varela, existem relações claras entre a exposição à violência exibida pela mídia e o desenvolvimento de comportamento agressivo. Isto é, a violência se tornou banal, natural e aceitável, concomitantemente, com a expressiva rentabilidade do comércio pelo sofrimento alheio.

Infere-se, portanto, a importância de medidas aptas a acabar com a espetacularização da hostilidade em detrimento do bom senso. Logo, urge que o Poder Legislativo, por meio da maior parcela de tributos, imponha leis as quais acabem com o abuso degradante dos meios de comunicação, com o objetivo de proteger a integridade das vitimas e agressores. Ademais, o Ministério da Educação, em conjunto com escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio, com o intuito de desconstruir a banalização em relação às mortes e violências enraizadas na sociedade, a fim de disseminar o hábito de empatia. Dessa forma, não haverá mais o predomínio de sangue nos jornais, com dito por Roberto Silva.