Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 13/03/2020
Para alguns pensadores, como Hegel, a violência é inerente ao homem. Enquanto para Émile Durkheim, a violência é vista como sintoma do funcionamento ineficiente das instituições, ou falhas no processo de socialização de pessoas. É evidente, que atos de transgressão e criminalidade constituem a história da humanidade e permanecem a perpetuar-se nos dias atuais. Entretanto, o que tem se tornado preocupante, além dos altos índices de contravenções, é a super exposição, a banalização e os excessos nos discursos midiáticos durante as abordagens.
Em primeiro momento, é cabível pontuar a abrangência dos veículos de comunicação em massa, a credibilidade perante a sociedade, o seu papel como instrumento de edificação humana e formadora de opinião e valores. Além disso, seu poder de persuasão e manipulação de fatos e o menosprezo dos impactos que esse tipo de prática pode causar para obter altos índices de audiência.
Outrossim, convém ressaltar as principais consequências geradas pela potencialização de noticiários violentos, dentre eles: insegurança, medo, pânico generalizado e sensação de impunidade. Destarte, a mídia vem promovendo a cultura da violência e do medo, através de reportagens sensacionalistas, filmes e novelas que reproduzem as barbáries humanas de maneira corriqueira. Diante dos argumentos apresentados, é notório o papel dos instrumentos midiáticos e o seu poder de influência exercido sobre a sociedade. Partindo dessa premissa, é indubitável a criação de políticas públicas de combate à propagação e espetacularização de noticiários vinculados a crimes pelo Ministério da Justiça em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações, e execução e fiscalização pelos Governos Federais, Estaduais e Municipais. De início, a estipulação de horário fixo nas grades de programações das emissoras em programas com contextos violentos após as 22:00H, à determinação do não prolongamento exacerbado e restrição do uso de imagens inapropriadas. Ademais, aplicação de incentivos fiscais pelo Governo Federal às empresas que prezem pela comunicação responsável e que divulguem dados dos bons resultados de ações ao combate a criminalidade. Sendo Possível assim minimizar os efeitos negativos que o sensacionalismo tem causado.