Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 02/09/2020

A minissérie, da plataforma netflix, “olhos que condenam”, baseada em fatos reais, retrata a condenação injusta de cinco adolescentes pelo ataque e morte de uma mulher no central park, Nova Iorque. Durante as cenas é possível perceber a influência midiática para a instauração do medo coletivo e da formação de preconceitos. Paralelo à narrativa, a espetacularização da violência pela mídia brasileira tem gerado consequências sociais, entre as quais destacam-se: o pânico social e manipulação de opiniões.

Em primeira análise é imperativo destacar a importância da indústria midiática no que tange a veiculação de informação na sociedade contemporânea. No entanto, percebe-se, cada vez mais recorrente, o uso, sobretudo, do jornalismo em prol do sensacionalismo que visa a audiência em detrimento da notícia. Vê-se, assim, a mídia saindo de seu papel de reflexão para o da espetacularizaçã. Desse modo, assiste-se à banalização da violência, uma vez que os noticiários a captam e a potencializam de forma - muitas vezes- irresponsável.

Outrossim, é indispensável citar a relevância dos veículos midiáticos na formação de opiniões do público brasileiro. Nesse sentido, ao passo que a preocupação primordial passa a ser a quantidade de espectadores, a qualidade da informação é prejudicada e, consequentemente, a mídia deixa de exercer sua função - à qual inclui incitar seu público ao senso crítico- e corrobora para a persistência do obscurantismo. Ademais, vale salientar ainda que a espetacularização da violência pode incorrer no pânico social e contribuir para o aumento da justiça com as próprias mãos, já que os cidadãos são tomados pela constante sensação de impunidade.

Cabe, portanto, à secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação prover a implementação de políticas de segurança da informação, a fim de sanar a veiculação -por parte da mídia- de matérias que contribuem para a espetacularização da violência. Só então a mídia exercerá seu papel sem promover a banalização daquela.