Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/03/2020

“Linguagem muito simples de manipulação, a violência prende a atenção da população.”. Esse trecho da música “Não adianta correr” da banda Mato Seco retrata a espetacularização da violência, a qual é causada pela busca predatória das mídias brasileiras pela audiência e gera domínio destas sob a forma das pessoas de enxergar a sociedade, favorecendo o isolamento. Desse modo, medidas de combate a essa problemática são necessárias.

De início, cabe elucidar como a violência se tornou protagonista da mídia canarinha. Nesse sentido, consoante Guy Debord em “Sociedade do Espetáculo”, a contemporaneidade é marcada pela espetacularização da vida. Em meio a isso, transformando a violência em show diariamente, muitos programas policiais ganham cada vez mais espectadores com o subterfúgio de estar informando a totalidade demográfica. Em síntese, tratar a barbárie como espetáculo tem sido lucrativo para as televisoras.

Em função disso, vale ressaltar que o comportamento da população é controlado. Sob esse ângulo, segundo Theodor Adorno, a mídia faz parte da indústria cultural e, sendo assim, difunde o comportamento de massa. Nesse contexto, o medo é disseminado, através dos canais supracitados, para os cidadãos, os quais, em busca de segurança, preferem viver em condomínios. Tendo em vista que essas organizações chegam à proporções de “minicidades” no que tange à prestação de serviços, a saída das pessoas é evitada. Dessa forma, esse isolamento ocasiona a segregação sociocultural e a intolerância para com as diferenças.

Portanto, observa-se que a apresentação da violência como show pela mídia traz impasses socioculturais. Por conseguinte, é imperioso que a sociedade - já que o governo não pode reprimir a liberdade de expressão das redes comunicativas - critique as abordagens midiáticas sensacionalistas, por meio do uso da internet para cobrar, às emissoras, programas mais humanizados, a fim de mitigar a difusão do medo sob a  condição de perda de audiência. Assim, a percepção social dos indivíduos não seria mais manipulada, diluindo o isolamento sociocultural.