Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/03/2020
Sensacionalismo. Imediatismo. Irresponsabilidade social. Essas são questões que caracterizam o problema da espetacularização da violência pela mídia brasileira, uma vez que ela tem se tonado palco de julgamentos e espetáculos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do individualismo e da má influência midiática.
Nessa perspectiva, há a questão do individualismo, que influi decisivamente na consolidação do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à mídia na corrida pela audiência . Assim, em função de notícias em primeira mão acabam divulgando informações errôneas ou sem consentimento que não foram passadas por revisões e, por vezes, prejudicando pessoas inocentes.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Dito isso, a mídia usando discursos distorcidos sensacionalistas faz com que a população tome lado sobre determinado caso que está sendo investigado, incentivando o prejulgamento. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Dessa forma, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, por iniciativa popular, que seja criada uma lei que prevê mutá a canais de comunicação que compartilhem noticias falsas ou sem consentimento em certos casos, assim obrigando que as informações passem por revisões antes de serem divulgadas.