Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/03/2020

O caso Eloá, mais longo sequestrado registrado pela polícia de São Paulo, ficou marcado por seu desfecho trágico, a jovem Eloá foi feita de refém e logo após assassinada pelo ex-namorado, mesmo após quase 100 horas de negociação com a polícia. Posteriormente, as grandes mídias televisivas foram consideradas responsáveis por dificultar o trabalho da polícia através da atuação de seus repórteres que visavam maior audiência sobre o caso. Nesse sentido, diante dos fatos supracitados, fica claro que não só a busca incessante por público como a irresponsabilidade da imprensa em tratar o caso foram determinantes para o fatídico destino da jovem. Entretanto, apesar de caótica, essa situação é mutável. Ainda segundo Theodor Adorno, a chamada “Indústria Cultural” introduz a mídia em um cenário capitalista, em busca de lucro, passa a oferecer serviços e produtos para a sociedade visando puramente o mercado, sem se atentar ao fator humano e às consequências de seus produtos, causa danos que podem ser irreparáveis à toda população. Devido à falta de ação das autoridades, pessoas inocentes tornam-se alvos desse mercado por representarem uma maior audiência à grande imprensa, como foi no caso de Eloá. Ademais, é importante ressaltar a irresponsabilidade da imprensa como maior promotora do problema. Partindo desse pressuposto, o despreparo de repórteres e jornalistas em lidar com casos mais sensíveis enquanto divulgadores da notícia, corrobora para um destino indesejável para a maioria das pessoas e dificulta a ação das autoridades que foram preparadas para essas situações. Tudo isso retardada a resolução do empecilho, já que essa depreciação da mídia com as instituições públicas e autoridades contribui para a perpetuação desse quadro. Assim, faz-se necessário medidas que contenham o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Dessa forma, o Ministério Público Federal junto às autoridades jurídicas deve atuar como intermediador de reportagens potencialmente lesivas à sociedade, através da aplicação de multas e responsabilização jurídica dos representantes das empresas midiáticas, mediante cadeia aos que forem considerados responsáveis em atrapalhar a atuação dos orgãos públicos direcionados à situação, de forma a incentivar maior precaução da mídia em noticiar fatos do cotidiano. Desse modo, atenuar-se-à, em curto a longo prazo, o impacto nocivo dessa grande espetacularização de jornais e programas televisivos, e casos como o da jovem Eloá poderão ser impedidos no futuro.