Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/03/2020

No livro “1984”, de George Orwell, é retratado um futuro distópico onde um Estado impõe um regime totalitário para a sociedade. Ao decorrer da narrativa, a história foca no personagem Winston, que é um funcionário do contraditório Ministério da Verdade que altera e manipula fatos do passado, para moldar a opinião popular a favor dos governantes, também acontecem propagandas na mídia com o mesmo objetivo. Fora da ficção, é fato que a distopia idealizada por Orwell, torna-se realidade nas mídias brasileiras, cotidianamente jornais divulgam crimes brutais como se fosse comum, normal, originando um sentimento de medo coletivo.

A priori, crimes de cunho brutal são espetacularizados pela mídia brasileira, se tornando “comuns”. Nesse sentido, o conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hanna Arendht, diz que o pior mal é aquele que torna-se cotidiano, comum e assim banalizado, se tornando algo normal. Analogamente, tornou-se comum para o brasileiro ver crimes colossais na televisão, servindo como fonte de entretenimento.

Consequentemente, o medo assola a sociedade brasileira, aumentando a entropia coletiva. A epistemologia Foucaultiana em “Microfísica do poder”, diz que o medo é como se fosse um Panóptico, que é uma prisão circular com as celas abertas, em que no centro tem uma torre com o vidro escuro, e que não se sabe se o vigia está lá ou não. Desta forma, a população vive em um “Panóptico diário”, com um medo constante de ser acometida a algum delito semelhante aos noticiados nas grandes mídias.

Portanto, é mister que espetacularização promovida pelas grandes mídias no Brasil, seja diminuída drasticamente. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que a Comissão dos Direitos Humanos faça campanhas nas redes sociais, por meio de patrocínio estatal, informando a gravidade dos fatos que são noticiados, e que o telespectador deve deixar de fornecer audiência para estas mídias. Somente assim o problema será resolvido, evitando que aconteça uma manipulação de mídia igual a de “1984”, com os cidadãos brasileiros do século XXI.