Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/03/2020

No clássico cinematográfico Clube da Luta, homens organizam lutas clandestinas com o intuito de, através da violência, esquecerem por um momento os seus problemas. Similarmente, a mídia brasileira espetaculariza agressões  como algo normal. Por isso, a busca extrema por audiência e o destaque para criminosos devem ser analisados para se superar a lastimável situação.

Em primeiro lugar, a competitividade midiática fazem com que imagens de crimes sejam, sem censura alguma, expostas em rede nacional. Com isso, frequentemente assistimos em tempo real perseguições policiais e casos violentos. Por exemplo, o linchamento de Fabiane Maria de Jesus, que teve vídeos do seu cadáver expostos em alguns jornais sem qualquer tipo de restrição. Portanto, um maior controle de mídias divulgadas deve garantir que o direito das vitimas não seja violado.

Outrossim, a glorificação à alguns assassinos agrava ainda mais a problemática. Isto é, casos como o “Massacre de Columbine” são noticiados de forma detalhada com todos os passos seguidos pelos autores do crime. Assim, algumas pessoas chegam a exaltar assassinatos complexos e violentos. De certo, a violência não deve ter lugar de destaque, pois, de acordo com Croce, “a violência não é força, mas sim fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora”.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade da urgência em se tomar medidas que contornem o problema da espetacularização de atos violentos no meio midiático. Destarte, cabe ao Estado criar uma lei que puna, por meio de multas, setores da mídia que mostrem cenas que violem os direitos humanos dos envolvidos. Ademais, a lei deve garantir que a liberdade de expressão não seja comprometida, e as noticias apenas não mostrem imagens brutais e passos muito específicos de atos violentos. A fim de que sejamos uma sociedade mais pacifica e harmonica, diferente da mencionada no filme Clube da Luta.