Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/03/2020
De acordo com o teatro antigo, a tragédia contava histórias de deuses e seu principal objetivo era despertar o terror e a compaixão no público. Embora seja uma forma antiga de prender a atenção das pessoas, atualmente, observa-se que novas formas de dominação midiática foram desenvolvidas, inclusive a espetacularização da violência, pela mídia brasileira. Porém, algumas consequências como a banalização da vida, o comprometimento da veracidade das informações e a determinação da realidade foram estudadas por Guy Debord, corroborando com a ideia de que a influência dos noticiários pode impactar negativamente.
Diariamente somos bombardeados por informações advindas de jornais, os quais, transmitem todos os tipos de assuntos. Entretanto, o veículo de transmissão passa pela banalidade da vida, escancarando mortes, atentados e expondo abertamente a subjetividade das pessoas em momentos delicados. A violência é o principal meio de atingir o máximo de espectadores possíveis, logo, entramos em contato apenas com atrocidades, tornando-as banais. Fato este, jamais analisado em todos os tempos, transformando a privacidade em espetáculo.
Em sua obra, " A sociedade do espetáculo", Guy Debord explora o alcance midiático e suas consequências. Para o sociólogo, as imagens dominam o cenário atual, controlando os próprios pensamentos da sociedade. Chamado por ele de “Determinação da realidade”, muitas vezes os meios de comunicação prezam pela instantaneidade da notícia, tornando a violência obsoleta e ao mesmo tempo única no mundo, distorcendo a realidade e sua verdade. A estratégia de manter a atualização em primeira mão é benéfica, desde que não passe a aumentar a disseminação de “Fake news”, seguindo o que acontece hoje em dia.
Diante disso, é evidente o poder adquirido pelas mídias sociais ao longo do tempo. Para tanto, torna-se necessário adotar medidas de prevenção da racionalidade, rapidamente. O Governo Federal, pode atuar ativamente criando leis que proíbam a exposição sem consentimento por parte dos atingidos, dar maior rigidez às normas que comprovem a autenticidade das informações e implementar campanhas publicitárias de conscientização em massa, para que as pessoas saibam combater as notícias falsas e possam desenvolver o seu próprio pensamento. Somente com políticas públicas será possível evitar que a violência se torne cada vez mais um espetáculo pela grande mídia, interessada em aumentar os espectadores.