Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

Há séculos, antes mesmo do renascimento urbano ou das grandes navegações, escravos, denominados gladiadores, eram postos frente a frente para lutarem até a morte em grandes arenas do antigo império romano. A carnificina que ali ocorria era exibida para milhares de pessoas que torciam e gritavam diante de tal espetáculo. Nesse cenário, atualmente, a mídia e as novas formas de comunicação têm contribuído para a divulgação e espetacularização da violência brasileira de forma paralela a ocorrida. Divulgação esta que, pretendendo angariar público, acaba por fomentar a violência na sociedade.

Primeiramente, cabe salientar que, no atual mundo capitalizado da valorização do lucro, criadores de conteúdo buscam altos índices de audiência sobre suas programações, utilizando-se de meios que podem ser considerados nocivos. Assim, uma das formas encontradas para atingir esse objetivo é a exploração da bestialidade humana através de filmes, séries, e até mesmo desenhos animados, em que vemos a exposição demasiada da violência para jovens a adultos, esta associada, muitas vezes, á ideais de liberdade e de uma vida mais bem aproveitada, corroborando assim, para a construção de mentes violentas, as quais no futuro podem vir a praticar atos como os expostos pelos agentes midiáticos.

Dessa forma, esta realidade torna-se um ciclo vicioso: altos índices de divulgação da violência pela mídia, provoca mais violência e consequentemente, mais divulgação. De modo que, o gigante assustador que faz a sociedade temer em andar sozinha de madrugada, apesar de ser exposto durante alguns minutos numa sessão de jornal, para os vitimizados pode trazer males para a vida inteira. Como exemplo podemos citar o aumento de doenças psicológicas, advindas de traumas vividos no passado; mortes de pessoas inocentes, trazendo tristeza e insegurança às famílias da vitima e alimentando o medo do simples fato de estarem vivos. Assim como dizia o líder Mahatma Gandhi: “Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem é temporário, o mal que faz é permanente. Portanto, uma sociedade violenta, é uma sociedade insegura.

Finalmente, para que haja a contenção da divulgação exacerbada da violência brasileira é necessário que o Estado incentive agentes criadores de conteúdo na reformulação das programações, com assuntos educativos, explorando cultura e valores, para que, dessa forma, a sociedade se firme, não em princípios de violência e medo, mas em alicerces de convívio e bem-estar social. Só assim será possível torcermos e gritarmos, não pela morte dos gladiadores como faziam os romanos, mas pela liberdade e dignidade humana.