Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/04/2020
Segundo Jean-Jacques Rousseau - importante filósofo e teórico político - o homem é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe. Nesse sentido, levando-se em consideração a espetacularização desmedida da violência no Brasil por meio da imprensa, redes sociais e, principalmente, pelos videogames e conteúdos cinematográficos, percebe-se que a espécie humana é influenciada indiretamente a atitudes de apoio a violência. Dessa forma, é evidente que tal advento configura um sério problema social, como a banalização da morte, além de propiciar o desenvolvimento de cidadãos mais agressivos.
Em primeira análise, convém destacar que a violência é constantemente tratada como forma de entretenimento, diversos produtores cinematográficos e indústrias de jogos eletrônicos utilizam casos reais de brutalidade para a produção de conteúdo. No Brasil, filmes como “Tropa de Elite” e “Era uma vez”, dos diretores José Padilha e Breno Silveira, respectivamente, apresentam um contexto conturbado e brutal das periferias do país. Com isso, o que deveria ser considerado apenas como passatempo, pode se tornar um “gatilho” para que os indivíduos desenvolvam comportamento agressivo. Dessa forma, é imprescindível analisar os efeitos gerados sob os consumidores desses conteúdos, a fim de minimizar os possíveis efeitos.
Em segunda análise, a cultura da violência exposta pela mídia também promove na população o instinto para que tomem os devidos cuidados de proteção. No entanto, o egoísmo enraizado na sociedade faz com que as pessoas, ao verem notícias publicadas pela imprensa, sintam-se aliviadas por não ter acontecido consigo mesma, sem, ao menos, se importar com a dor das vítimas, pois esta é apresentada como um elemento comum ou banal. Segundo o IBGE, a taxa de mortalidade por homicídios no Brasil chegou, em 2017, a 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes. Com base em tais valores, pode-se ser considerado um valor baixo se comparado com a população total. No entanto, cada vida é importante, pois cada indivíduo é especial para alguém.
A partir dos aspectos mencionados, torna-se evidente a necessidade de melhorar a divulgação de informação acerca de violência. Com esse intuito, é fundamental que as famílias, por meio de aplicativos, selecionem os conteúdos consumidos por seus filhos desde novos, a fim de que eles cresçam sem a influência agressiva, como jogos e filmes que fazem apologia à luta, tiros e morte. É, imprescindível, também, que a imprensa não retrate a violência como linha editorial, relatando apenas o necessário para a sociedade se conscientizar, de modo a respeitar familiares que sofreram perdas, além de evitar a expansão de casos semelhantes.