Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 28/03/2020
Quando colocado em pauta o papel da mídia no corpo civil brasileiro, destaca-se a veiculação de notícias do cotidiano geral, necessárias para manter a população informada. No entanto, hodiernamente, a cerne dessa esfera apresenta-se deteriorada, uma vez que o espaço televisivo tem sido palco da exacerbada propagação dos diversos modos de violência. Desse modo, é preciso refletir e conter os impactos provocados por tal fato.
Em primeira análise, no tocante às produções jornalísticas existentes, no ano de 2020, o programa “Cidade Alerta” foi alvo de críticas diante da insensibilidade ao relatar para uma mãe a morte de sua filha. Esse fato corrobora a visão de que a mídia converteu-se em um produto do sistema capitalista atual, o qual, utilizando a espetacularização, visa o lucro acima de qualquer princípio humano.
Ademais, o sociólogo Guy Debord, em sua obra “Sociedade do Espetáculo”, disserta sobre a sociedade espetacularizada produzida pela mídia. Sincrônico a ele, Edgar Morin, designa a essa o quarto poder público, visto que seu alcance abrande parte considerável dos indivíduos e os influencia. Assim, a fusão de ambos os conceitos permite concluir a interferência negativa propiciada pelos meios de difusão das informações. Desse modo, a violência passa a ser, paulatinamente, banalizada, praticada e aceita pelos cidadãos.
Destarte, urge a necessidade da intervenção estatal mediante devido problema. Por conseguinte, o Ministério da Comunicação deve reconfigurar as bases jornalísticas, estabelecendo limites perante a divulgação de notícia com cunho violento, a fim de poupar a população de detalhes desnecessários e hediondos. Dessa maneira, os impactos sociais serão atenuados e a mídia voltará a exercer seu papel benéfico.