Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/03/2020

Um recente caso de espetacularização da violência na mídia tem revoltado muitos brasileiros: durante uma edição ao vivo do programa Cidade Alerta, da RecordTV, o apresentador Luiz Bacci, que estava cobrindo o caso de desaparecimento de Marcela, de 21 anos, conversava com a mãe da desaparecida; ao receber uma informação do advogado do caso, comunica à mãe, em rede nacional, de que Marcela havia sido encontrada morta, levando a mãe da menina a um estado de choque a ponto de ser socorrida ao hospital. Cenas como estas exemplifica de forma direta o papel manipulador e abusivo do sensacionalismo na TV, não se abstendo ao uso de imagens de violência sem censura que são apresentadas  até mesmo aos telespectadores mais jovens.

Em 2016 o Ibope constatou, por meio de pesquisas, que “89% dos brasileiros se informam pela televisão sobre o que acontece no país”; de forma análoga, a TV se torna a grande detentora de informação e, por consequência, podendo manipula-lá como desejar, do mesmo modo que usa de imagens de violência e morte, não só para suplantar ideias próprias em relação à polícia e ao Estado por meio de programas sensacionalistas, como também interferindo pessoalmente nos direitos humanos.

Sendo a televisão a maior rede de informação do Brasil, eventualmente os espectadores mais jovens, afim de entretenimento, também serão expostos às imagens de agressão e hostilidade; seguindo este pensamento, o professor Jeffrey Johnson, da Universidade de Columbia, concluiu por meio de pesquisas que cerca de 29% dos jovens que se habituam a passar, em média, 3 horas por dia em frente a TV se tornam mais violentos na maioridade, induzindo a agressividade dessas pessoas por meio de cenas sensacionalistas.

Em suma, a banalização da violência na TV não pode e nem deve ter continuidade no país; há de se estabelecer limites e censura destes programas, cabendo ao Estado garantirem que não se prejudique o senso humano e a sensibilização das pessoas frente a tais cenas.