Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 23/03/2020
A política do Pão e Circo era o modo como os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel a ordem estabelecida e conquistar seu povo, através de espetáculos sangrentos. Não distante dessa realidade, na hodiernidade, é certo que o fato apresentado pode ser relacionado à espetacularização da violência pela mídia, sendo regulada pela banalização da violência e por questões econômicas. Dentro desse ínterim, faz-se necessária uma intervenção que busque coibir a banalização da violência.
Tendo em vista a realidade supracitada, destaca-se a alta capacidade do poder midiático de influenciar a população, o que leva a alienação social, em que os indivíduos altamente acostumados com a violência que os rodeia, não são capazes de perceber a lúgubre situação que vivem. Essa visão conduz com as ideias da célebre filósofa Hannah Arendt por meio da Banalidade do Mal, na qual o mal se multiplica porque se tornou algo comum e banal, sendo que muitos que o praticam não decidiram lucidamente por realizar o bem ou o mal, à medida que param de dar importância, nem sequer se dedicam a pensar sobre o assunto. Dessa forma, a alienação social proporcionada pela mídia banaliza a existência do homem.
Além disso, a influência da indústria cultural, através da alienação e da coisificação, transforma tudo em objeto, inclusive o homem. Quanto a esse fator, a exploração da violência pelo poder midiático ajuda a sustentar o sistema capitalista. Nessa conjuntura, conforme o sociólogo Zygmund Bauman a indústria do medo transforma a violência em mercadoria e, assim, ela passa a ser multiplicada, ao invés de pedir investimentos públicos para eliminação de desigualdades sociais e investir em educação de qualidade, a sociedade clama por segurança, seja ela pública ou privada. Dessa maneira, a cultura do medo e da violência espetacularizada pela mídia estimula a lucratividade do capitalismo.
Em síntese, é imperiosa a tomada de medidas capazes de reverter a problemática abordada. Desse modo, urge ao Ministério das Comunicações, associado ao MEC, engendrar um projeto interdisciplinar para ser desenvolvido em instituições educacionais, com o objetivo de elucidar a sociedade quanto às suas responsabilidades para exigir das autoridades projetos de leis que contenham a capacidade alienadora da mídia, sendo limitada a banalização da violência. Às escolas cabe desenvolver debates engajados e atividades lúdicas, com a participação de profissionais especializados, com o fito de desenvolver a capacidade do consumo responsável de informações. Posto isso, poder-se-á mitigar essa realidade.