Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/03/2020

Segundo o conceito de “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt, a crueldade pode ser banalizada e a execução da maldade contra outro ser humano pode ser naturalizada, em razão da realidade a que se está inserido e da repetição de tais acontecimentos. No que concerne à violência na sociedade brasileira, esta se encontra trivializada em razão da crescente espetacularização na mídia brasileira. Diante disso, consequências como o aumento das estatísticas violentas e a criação de uma sociedade com valores deturpados são cada vez mais vistas. Desse modo, devem ser tomadas medidas para combater tais exibições nocivas à sociedade.

Precipuamente, percebe-se que a cada dia aumentam-se as especulações da mídia jornalística em  relação à crimes violentos, a fim de propagar a notícia, além da necessidade de oferecer detalhes a respeito do acontecimento, explorando os crimes com sensacionalismo, e não havendo grandes preocupações com a comprovação de informações quando o objetivo é a exclusividade da notícia. Dessa forma, há uma sociedade em formação, incluindo crianças, que tem acesso à crimes hediondos em rede aberta e em horário nobre. Tais fatos formam uma sociedade cada vez mais cruel, como mostra o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), onde no ano de 2017 foram registrados 65.602 homicídios no Brasil, um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior, retrato de uma realidade intolerável e que necessita de transformação.

Sob o mesmo ponto de vista, tomando como exemplo o tiroteio na escola de Suzano, em 2019, o caso se tornou um grande palco de especulações: das motivações, dos acontecimentos durante todos os segundos de massacre, da rotina dos estudantes da instituição de ensino antes e depois dos acontecimentos e as vidas que ali foram perdidas. Todos esses fatores sendo noticiados massivamente em diversos canais de televisão, cada um com sua exclusividade a ser divulgada. Este caso, é um no meio de tantos que são propagados pela mídia, o que gera nos receptores de notícias tão terríveis o contentamento e a familiarização com estes acontecimentos. Dessa forma, tornando-se indivíduos que normalizam tais episódios e não encontram perspectiva de uma realidade diferente.

Portanto, a espetacularização da violência pela mídia é prejudicial e deve ser combatida. O Ministério da Comunicação deve trabalhar para estabelecer e impor limites aos canais abertos de televisão, por meio de um acordo, realizado entre governo e mídia, a fim de que a notícia garanta a preservação da imagem das vitimas. Bem como, deve haver controle por parte da família ao que os jovens e crianças tem acesso nas mídias, controlando e filtrando ao máximo notícias de caráter violento. Buscando assim uma sociedade que não banalize, mas combata o mal.