Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/03/2020

Limites da democracia na sociedade de comunicação

A violência é o ato físico ou verbal de agressão ao outro, ou seja, quando alguém provoca danos à outro ser. Essas práticas devem ser analisadas e julgadas por profissionais capacitados para exercerem tal função, como juízes. Entretanto, essa violência tem se transformado em um problema maior quando a mídia age de forma a potencializar ou normalizar esses atos.

Na contemporaneidade, as mídias de comunicação têm se tornado cada vez mais ferramentas coercitivas que modelam comportamentos. Dessa forma, informações e ideias transmitidas de forma espetaculizadas, que trazem a má natureza do ser humano, tendem a produzir um efeito negativo de raiva ou glória sobre autores de agressões. Assim, essas reações geram novas formas de violência, ou seja, um ciclo que deveria ser quebrado é continuado. Tal ideia vai ao encontro do pensamento de Carl Jung, psicólogo que afirmava que aprendemos por imitações.

Sob outra perspectiva, a espetaculização da violência pelas mídias também tem causado a descrença no julgamento imparcial da Justiça. Isso porquê muitas  pessoas, motivadas apenas pelo sentimentalismo, acreditam que poderiam oferecer métodos punitivos mais eficientes para solucionar o problema da violência. Desse modo essa indignação leva a prática de atrocidades como “justiça com as próprias mãos”, uma forma desumana de punir outras pessoas baseadas no senso comum. Que viola princípios básicos da Constituição de 1988, como o de que todos devem ter direito à defesa.

Diante do exposto, faz-se necessário que o Ministério da Justiça estabeleça multas de 10% nos rendimento de redes de comunicação que forneçam informações ou detalhe de crimes. A fim de que haja uma diminuição na violência e uma maior reflexão, respeitando os limites da democracia brasileira.