Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
A exposição lúdica da violência pela mídia brasileira
O documentário “Quem mandou matar Marielle” relata os questionamentos a respeito da morte de Marielle, política diretamente ligada a ideais democráticos e comunistas. Apesar de ocorrido em 2017, o acontecimento possui repercussões até os dias de hoje, demonstrando o comprometimento e determinação da mídia em abordar fatos relacionados a violência. Porém, essa extrema mostragem configura-se em uma problemática, visto que muitas vezes tem adquirido um caráter lúdico em detrimento do informativo. Devido a isso, é indeclinável que o governo e os cidadãos se atentem a esse problema com um olhar mais crítico de enfrentamento.
Nesse viés, é válido pontuar que são majoritárias as notícias sobre criminalidade e morte nos meios informativos. Logo, a ciência sobre as tragédias regionais e globais são parte do cotidiano de um cidadão, fazendo com que o medo destas haja como uma função exponencial decrescente, diminui gradativamente até quase tocar no zero, atribuindo muitas vezes à violência como algo normal. Outrossim, a Terceira Revolução Industrial _ revolução de aprimoramento tecnológico e científico_ fomentou o crescimento desse tipo de notícia, visto que, além de promover o aumento da população urbana, ampliou o acesso aos meios de comunicação, encurtando as barreiras dessas menções.
Ademais, convém salientar que a mentalidade dos indivíduos a respeito da violência é intrinsecamente relacionada com a exposição midiática. A exemplo disso, em um quadro do programa “Fantástico”, da Rede Globo, o doutor Drauzio Varella entrevistou uma prisioneira e a questionou se recebia visitas da família; chorando, a entrevistada negou a pergunta e recebeu um abraço do profissional, que se sensibilizou com a situação de abandono da detenta. Esse fato foi consequentemente julgado pela sociedade, sendo que, parte via como vitimização de uma agressora e parte como ação de bondade e empatia.
É evidente, portanto, que a estagnação das narrativas espetacularizadas pela mídia é necessária para o progresso da nação. Sendo assim, é imprescindível que o Poder Legislativo, com contribuição do Ministério da Justiça e Segurança Pública, crie leis que normatizem o comportamento da mídia frente à exposição da violência, explicitando que devem assumir preponderamente caráter informativo, a fim de minimizar o caráter lúdico das notícias ruins. Além disso, é fundamental que o Ministério da Educação, conjuntamente com o setor de publicidade, crie propagandas, que serão expostas em horário nobre de televisão, utilizando figuras famosas, expondo dados estatísticos que demonstrem as consequências negativas da violência, para que a sociedade fique consciente dos malefícios de tal ação.