Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 17/03/2020
Em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More descreve, através de um diálogo, uma ilha onde a sociedade é perfeita, seguindo regras e condutas de modo que conflitos e problemas sociais sejam ausentes. Contudo, o que verificamos na nossa sociedade contemporânea é o oposto do que o autor postula, uma vez que a espetacularização da violência pela mídia brasileira cria barreiras para evitar esses conflitos sociais. Esse cenário antagônico é oriundo tanto da busca incessante pela audiência que os meios jornalísticos dispõem, quanto da desumanização crescente pelos meios sociais. Diante disso, torna-se fundamental a discussão dessa problemática com a finalidade do pleno funcionamento social.
Em uma primeira análise, é primordial pontuar que a violência urbana vem crescendo de maneira contínua e faz parte da função jornalistica informar a população sobre tais eventos. Contudo, a maneira com que a notícia é muitas vezes vinculada carece de um crivo com um olhar mais sensível. Com frequência os veículos midiáticos se atem a números, seja na hora de decidir suas pautas, ou na escolha da maneira em que tal informação será repassada ao público e embora a violência seja algo frequente, nunca deve ser tratada de forma leviana.
Outra questão a ser analisada é a velocidade com que essas notícias circulam. É comum nos depararmos com uma reportagem de um caso violento acompanhado de imagens do crime, seja da vítima ou ainda de vídeos onde jornalistas entrevistam a sua família, sem se aterem a dor por qual estes estão passando. O filósofo Jean Jacques Rousseau diz que " a natureza faz do homem feliz e bom, mas a sociedade o deprava e corrompe" e isso é um retrato de como as mídias tem tratado a circulação de casos de violência urbana. Devido a falta de atuação das autoridades, não há um controle efetivo no modo como são expostas as notícias, gerando um tipo de conteúdo desnecessário e desrespeitoso. Desse modo faz-se mister a reformulação dessa postura urgentemente.
Para tanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Com o intuito de mitigar a violência como forma de espetáculo, torna-se necessário que o tribunal de contas da união direcione capital para a regularização da mídia, criando mecanismos para direcionar como devem ser apresentadas as notícias, além do controle através de softwares para barrar a livre circulação das imagens dos crimes de modo a preservar a integridade dos envolvidos, lançando mão de um olhar mais humanitário e menos sensacionalista, respeitando os direitos humanos tanto da vitima e sua família, quanto de quem consome, atenuando desse modo tal problemática.