Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/03/2020

Historicamente, durante a Idade Antiga, as lutas de gladiadores, aclamas pela população romana, ilustravam a carnificina a qual os escravos eram submetidos a fim de saciar a sede dos homens por sangue. Analogamente, na contemporaneidade, nota-se que a mídia brasileira, “renascendo” tal fenômeno histórico, retrata em demasia a violência da em sociedade. Com isso, é indubitável que a espetacularização dos acontecimentos sociais corrobora a persistência do inconsciente irracional do homem, além de estabelecer o sentimento de ausência de regras sociais no telespectador.

Assim, a teorização de Thomas Hobbes de que o ser humano é naturalmente mau, sendo necessário o Estado para que a ordem seja mantida é válida  para se visualizar que o descomedimento que cerca o meio midiático contribui para a perpetuação, de forma inconsciente, dessa deturpação humana. Ademais, com base na máxima de Michel Pêcheux de que o discurso materializa a ideologia, é inquestionável que a mídia anda em sentido contrário à manutenção da “sede humana” por violência. Dessa forma, o fato de se divulgar de forma espetacularizada os acontecimentos inviabiliza a desconstrução dessa irracionalidade humana.

Nessa ótica, assim como a 2ª Geração Romântica,conhecida como “mal do século”,era dominada pelo pessimismo,da mesma forma faz-se uma sociedade na qual o sentimento de ordem e pertencimento social inexistem.Com isso,segundo o ideal Durkheimniano de que o anarquismo social,quando presente em sociedade influi no aumento da individualidade e do ditoso “suicídio egoísta”,é visível que a capitalização das problemáticas sociais em meio midiático fortalece as estruturações de tais fatos. Sob esse viés,nota-se que a rarefação da harmonia social, além de afetar o indivíduo,termina por,indiretamente,afetar o corpo social como um todo,haja vista que com a intensificação do indivualismo, existe-se também a retração de mecanismos essenciais ao conjunto social,como o sentimento de alteridade.

A transmissão da violência, portanto, urge de atenção da sociedade, haja vista sua influência no corpo social como um todo. Nesse tocante, tendo como referência a catarse Aristotélica, o MEC deve,por de uma reformulação prática de lecionamento, estabelecer, principalmente em matérias de cunho social , a preferência por práticas artísticas durante as aulas, haja vista que, segundo o filósofo helenístico, “A arte é o meio mais eficaz para se transmitir uma informação”. Assim, peças teatrais, gincanas e feiras culturais são imprescindíveis para o estabelecimento da alteridade e para o atrofiamento do irracional humano. Além disso, o Poder executivo deve fornecer incentivos fiscais a redes televisivas para reduzirem a veiculação de conteúdo de cunho violento, assim, distoando-se da realidade clássica.