Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/03/2020

Problemas do século XXI; respostas no XVIII

Para Immanuel Kant, filósofo iluminista, todo obstáculo de uma sociedade reside na problemática de sua educação, sendo essa o segredo para o progresso da humanidade. No Brasil do século XXI, como reflexo da análise “kantiana”, as consequências da espetacularização da violência, promovida pela mídia brasileira, jogam uma grande parcela populacional frente ao caos. Assim sendo, antes de buscarmos a solução para tal intempérie, devemos entender os dois principais fatores que a geram: A ciclicidade sociológica e a massificação da cultura.

Sob uma primeira análise, como explícito nos estudos de Pierre Bourdieu - sociólogo francês - a sociedade possui padrões cíclicos, ou seja, atos são impostos, naturalizados e reproduzidos, futuramente, pelos indivíduos, o que configura a teoria dos hábitos. Infere-se de tal análise que a naturalização da violência é uma intempérie enraizada na cultura capitalista, sendo potencializada pela ação da mídia brasileira. Em decorrência disso, devido a ineficiência no atenuamento dessas opressões hodiernas, as consequências se tornam imensuráveis e irreparáveis dada a gravidade do desvio de conduta. De tal maneira, os hábitos sociais, sem a presença de um agente regulador, prejudicam e estancam as vias pelas quais se dariam os caminhos para a dissolução das consequências da espetacularização da violência.

Além disso, como postulado nos campos da filosofia por Max Horkheimer, os indivíduos não possuem um papel ativo na produção de cultura, isto é, a indústria produz e molda o ser humano para se tornar o consumidor que ela deseja. Interpreta-se do pressuposto, portanto, que a cultura capitalista modela os indivíduos, afetando sua capacidade cognitiva e suas atitudes dentro da sociedade. Nesse viés, aprendemos a desenvolver uma moral baseada nos padrões de consumo e, nesse âmbito, estamos propensos às formas mais primitivas da expressão humana. Logo, a maneira pela qual a indústria cultural opera se mostra perversa, refletindo diretamente nas consequências da espetacularização da violência pela mídia no Brasil.

Por conseguinte, cabe ao Estado estabelecer uma ampla política de valorização educacional por meio da Federalização da educação,a fim de estimular o debate filosófico atenuando a ciclicidade social. Outrossim, é fundamental que a iniciativa privada,através da divulgação de suas marcas, promova, em parceria com as unidades federativas, um amplo projeto de conscientização sobre as consequências da espetacularização da violência, com o intuito de trazer foco à temas não usualmente debatidos. Sendo assim, tais medidas se sobreporiam ao problema como previsto pelo filósofo iluminista:com a educação.