Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 26/03/2020
O papel(ão) da mídia
À mídia cabe informar, de forma ética e isenta, ao povo brasileiro. O filme “O Abutre” traz a discussão sobre a tênue linha ética entre o que pode e deve ser divulgado e o que é noticiado apenas para polemizar e aumentar a audiência. Há tempos a imprensa cruza essa linha tênue e é válido questionar quais as consequências dessa violência midiática?
No mundo romano os combates entre os gladiadores atraiam uma gama de público para os anfiteatros. Apesar da distância no tempo e espaço ainda é praticado a espetacularização violência para prender a atenção do público em pleno século XXI. A metodologia aplicada pelos programas jornalísticos quando noticiam/exploram um crime violento reforçam uma cultura de violência na sociedade, acaba por incitar a violência e banalizar a vida. As constantes notícias geram um medo na sociedade que modificar a rotina do indivíduo, os quais deixam de frequentar alguns locais e de sair em determinados horários. A violência televisiva influencia o telespectador a resolver os conflitos por meio de posturas autoritárias e de violência.
Também é válido mencionar que os meios de comunicação em massa são chamados de o quarto poder, esse não lhe foi concedido pelo Estado Democrático. Porém a mídia exerce o poder de manipulação da opinião pública com maestria. A cobertura completa e sensacionalista de alguns crimes que causam maior impacto social pela sua brutalidade, na maioria das vezes mobiliza a opinião pública e pode influenciar a decisão de um júri popular, por exemplo. A cobertura do assassinato de Eloá em 2008 foi noticiada como um crime de amor e quando a mídia romantiza um caso de feminicídio corrobora para os altos índices desse tipo de crime no país.
Tendo em vista os aspectos observados, o tratamento abusivo que a mídia dá aos crimes violentos faz do jornalismo um dos pilares que mantém uma sociedade que cultua a violência, individualista e que não valoriza a vida. Desta forma faz-se necessário a ação do Estado para a criação de um Órgão controlador da mídia para que possa fiscalizar e garantir o cumprimento dos direitos humanos. É mister implementar campanhas de conscientização da população quanto o conteúdo e a forma de exibição de notícias violentas, possibilitando um olhar crítico do público e consequentemente uma reformulação da mídia.