Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/03/2020

Na música Jornal da Morte de Roberto Silva, no trecho “só falta alguém espremer esse jornal para sair sangue” nota-se uma crítica em relação a valorização da veiculação de notícias violentas. Diante desse fato, observa-se a gravidade que tantas reportagens desse gênero pode acarretar no desenvolvimento de um indivíduo e na banalização da morte.

Em decorrência ao bombardeamento de relatos agressivos repara-se situações preocupantes, como o desenvolvimento de um indivíduo. De acordo com o estudo publicado pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência na televisão ou quem qualquer outro meio de comunicação pode acarretar no seu desenvolvimento de comportamento agressivo fazendo com que isso gere um crescimento com uma visão negativa do mundo, afetando o futuro brasileiro.

Além disso, segundo o jornalista Reinaldo Azevedo em uma coluna da Revista Veja - a vida humana parece ter menos valor a cada dia - e é inegável a participação da mídia para esse fato, observando-se que as novelas e filmes estão cada vez mais violentos e com  as demasiadas reportagens insensíveis que colaboram para a normalização da morte. Como exemplo disso tem-se a operação policial que ocorreu no complexo do Alemão em 2010, onde os canais de notícias transmitiram ao vivo os policiais alvejarem os traficantes, são ações como essa que contribuem para a invisibilidade e banalização da vida de um ser humano.

É necessário, portanto, que o Estado atue para mudar esse cenário. Então, cabe ao Ministério de Propaganda proteger as crianças e aos jovens por meio de propagandas que conscientizem os pais sobre o controle dos conteúdos assistidos pelos filhos. E, além disso, cabe ao Ministério de Comunicação conter o excesso de exibição de notícias que explorem atos brutais, estabelecendo limites de veiculação de imagens e vídeos de violência em canais abertos com o intuito de impedir a banalização da morte.