Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

A mídia brasileira divulga massivamente os casos de violência do país, concedendo até mesmo detalhes minuciosos para prender o espectador. Entretanto, a espetacularização dessas situações, que ocorre por fins capitalistas, instiga inúmeras emoções àqueles que acompanham os casos, fato que interfere no julgamento moral de cada indivíduo. Logo, é irrefutável a necessidade de subverter tal situação, tanto por impedir a reflexão social, quanto por motivar a ocorrência de novos casos.

No que concerne ao primeiro ponto, é importante ressaltar que os meios de comunicação são importantes formadores de opinião humana. A título de ilustração, destaca-se a manipulação midiática a favor do regime nazista instaurado por Adolf Hitler, o qual utilizou desse mecanismo para intensificar o apoio popular ao seu governo. Desse modo, expor a violência com uma perspectiva artística torna os indivíduos passíveis de manipulação em razão do medo e dos pensamentos previsíveis gerados diante do problema.

A respeito do segundo dado, vale salientar que a hiperexposição da violência promove a banalização desses atos. Nesse sentido, observa-se que quanto mais se dissemina os crimes violentos que assolam o país, mais pessoas são impulsionadas a tratar tais situações com naturalidade, fato corroborado pela filósofa Hannah Arendt. Com isso, a medida que isso cresce, os índices de violência no país também ascendem, haja visto que atitudes violentas se tornam comuns na vida das pessoas.

Desse modo, medidas são necessárias para reverter tal panorama. Para isso, o Ministério da Segurança, aliado ao congresso nacional, deve instituir uma nova legislação para impedir a exposição exagerada da violência de modo banal nos meios de comunicação do país, em especial os mais utilizados. Essa iniciativa pode ser realizada por meio de emendas constitucionais levantadas por deputados. Com isso, será possível mitigar as consequências da espetacularização da violência e motivar a reflexão da população brasileira acerca dos fatos que consomem.