Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

A mídia tem como principal função promover a divulgação de informações confiáveis para que, através dessas, o público consiga construir uma opinião crítica sobre os fatos. No entanto, hodiernamente, o que observamos é a busca incansável por altos índices de audiência que desencadeiam na banalização da informação. As notícias anteriores a essa caça por espectadores eram construídas por meio de fontes seguras, mas a realidade atual é a promoção, principalmente da violência, para um espetáculo semelhante ao promovido no passado por líderes romanos.

Em particular, a bestialidade humana é explorada de forma exacerbada, sem questionamentos por parte das emissoras acerca de suas consequências. Isto é, contanto que a audiência se mantenha alta, a selvageria exibida não teve ser questionada. Além do mais, recentemente, um fenômeno esportivo vem tomando conta dos canais de televisão, as Artes Marciais Mistas, ou mais conhecida como MMA, suas lutas são caracterizadas por golpes mistos, oriundos das várias modalidades marciais. Ao assistir esses seres humanos em ação, digladiando-se como verdadeiras feras, logo vêm em mente às lutas realizadas nos coliseus romanos. Naquela época, era comum ter como entretenimento, combates entre homens que, animalescamente lutavam entre si até a morte, e presentemente contemplamos sua versão moderna.

De fato, as mortes em combate nesse esporte não são tão corriqueiras como as dos romanos, mas a difusão desse tipo de luta nas emissoras televisivas é preocupante, visto que, numa sociedade violenta como a nossa, a potencialização de embates desse porte pode corroborar para a construção de mentes violentas, as quais não utilizarão da filosofia do MMA em suas vidas, mas sim os golpes, socos e ponta pés. Ademais, a mídia televisiva não se limita apenas em violentar os telespectadores com lutas desse tipo, os telejornais, mais parecem “realitys shows” de sangue, nos quais, estupros, assaltos, esquartejamentos, genocídios e uma gama imensa de carnificina passam quase que simultaneamente para os telespectadores, dando assim, continuidade a política pão e circo.

Em suma, a violência não precisa deixar de ser noticiada, pois é importante que a população seja informada sobre as barbaridades que são cometidas contra pessoas comuns, visto que, de alguma forma pode contribuir para que determinados crimes sejam solucionados, contudo, o bom senso jornalistico e humano deve ser primordial. De modo que, espetacularizar a morte para trazer audiência, mostrando corpos ensanguentados, parentes desesperados, não condiz com a função esperada da mídia, soma-se a isso, a necessidade de adequação de conteúdo, como a transmissão de lutas, à a horários adequados à faixa etária do público.