Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/03/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a espetacularização da violência pela mídia, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela quebra de privacidade do sujeito, seja por a mídia se aproveitar da existência da violência e a potencializar. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a mídia vem dando uma ideia de ‘‘justiça com as próprias mãos’’ para a sociedade, logo, rompe essa harmonia, haja vista que fazer a ‘‘justiça com as próprias mãos’’ é uma injustiça dentro do estado de direito de cada um dos cidadãos.

Outrossim, destaca-se a quebra de privacidade, da pessoa em que está sendo exposta, como um impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que ao expor uma pessoa com a perda de um parente por um criminoso, os meios de comunicação em massa instigam o sentimento de vingança  em seus consumidores, fazendo com que tais se sintam com a necessidade de realizarem a suposta justiça com as próprias mãos.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o MPF  (Ministério Publico Federal) deve criar leis que impeçam as mídias de executar a espetacularização da violência, e programas sociais que constituam a conscientização de que, fazer justiça com as próprias mãos é repudiante. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Dessa forma, o Brasil poderia superar o sensacionalismo das mídias e meios de comunicação.