Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 17/03/2020
De fato, demostrações públicas de violência sempre ocorreram e foram tratadas de forma natural ao longo da história da humanidade. Os jogos com gladiadores realizados no coliseu da Roma Antiga pelo então imperador Cômodos, evidenciado no filme ‘Gladiador’ de 2000, é um exemplo disso. No entanto, a partir da promulgação dos direitos humanos após o fim da segunda guerra mundial, esperava-se que houvesse um amadurecimento da população mundial acerca do assunto. Entretanto, ainda é possível encontrar diversos casos onde a violência e a vida continuam sendo banalizadas assim como eram nos tempos dos gladiadores, principalmente no Brasil. Logo, é necessário encontrar meios para evitar essas ocorrências.
Nesse contexto, pode-se destacar o infeliz ocorrido protagonizado pela jornalista Sônia Abrão, no qual a mesma telefonou ao vivo de seu programa de fofoca sediado na Rede TV para o sequestrador da jovem Eloá em 2008, sendo transmitida toda conversa para seus telespectadores como entretenimento, enquanto a família da adolescente sofria com o cárcere privado acometido pela garota, considerado o mais longo já registrado pela criminologia do Brasil. Episódio que rendeu um processo a emissora e sua funcionaria por parte do Ministério Público, segundo o Estadão. Todavia, 11 anos depois um acontecimento tão brutal quanto se repetiu em rede nacional, na ocasião em que o jornalista Luiz Bacci da Band noticiou ao vivo o assassinato de uma menina a sua própria mãe, resultando no desmaio da senhora, revoltando toda a internet, como mostrou a Veja.
Apesar da TV ser uma grande mídia da massa, esses casos não se restringem a ela. Principalmente neste momento em que a internet domina a sociedade, de acordo com o G1. Muitas vezes apresentando um impacto muito maior na população do que as televisões, tanto que de acordo com a ecommerce, a publicidade na intenet já se tornou maior que a televisiva. Logo, eventos como aquele em que um jovem brincava por uma vizinhança de São Paulo com um “app” e foi supostamente acusado de assaltante nas redes sociais, conforme a UOL, é muito perigoso, pois pode trazer consequências injustas e severas a inocentes. Como aconteceu com a mulher Fabiane de Jesus, linchada injustamente por um boato na internet em 2014, também no estado de São Paulo.
Portanto é de suma importância que as pessoas se atentem e se conscientizem por informações veiculadas em qualquer mídia. Logo, um “app” poderia ser construído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, juntamente a um banco de dados disponibilizados diariamente pelas mídias, para conscientizar e atestar veracidade das informações. Assim como o Ministério da Saúde fez com o aplicativo Coronavírus. Dessa forma, incitações à violência por falsas notícias poderiam ser combatidas.