Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/03/2020

Desde o surgimento da mídia, seu papel tem sido de suma importância; esta, mantém a população informada  através da cobertura e divulgação de acontecimentos então presentes na realidade. No entanto, é notório que a função apelativa da língua é muitas vezes utilizada, de modo que acaba por confundir e manipular os espectadores, que, ao serem apresentados aos acontecimentos de forma espetacularizada, prejulgam os fatos de maneira irracional e, muitas vezes, imprecisa.

Sabe-se que a mídia tem valor imprescindível para a institucionalização da democracia, tendo como base acontecimentos como a pandemia da Gripe Espanhola e até mesmo o desastre nuclear de Chernobil, que se tornaram ainda mais devastadores devido a censura dos fatos pelo governo, privando a população o direito de informação e a oportunidade de adotar as medidas protetivas necessárias.

No entanto, é necessário separar o que de fato compõe uma notícia da espetacularização da mesma, pois, sendo responsável por gerar reflexões que sequenciam um posicionamento argumentativo do público, é preciso que haja cautela por parte da mídia ao difundir as informações. A obsessão pelo imediatismo pode muitas vezes fazer com que o objetivo mais primitivo dos noticiários não seja alcançado - o de relatar os fatos de forma neutra e precisa - podendo causar no espectador a desinformação e a propagação errônea dos acontecimentos.

Tendo como objetivo atrair a atenção do público, a esfera jornalística tem por vezes cometido alguns excessos ao fazer dos acontecimentos verdadeiros espetáculos. Ao negligenciar o lado humano do seu trabalho e focar apenas em noticiar os fatos com exclusividade, pode-se obter como resultado a exposição e o constrangimento dos familiares dos indivíduos que compõem a reportagem pelo uso de discursos distorcidos, muitas vezes antes do devido julgamento dos acusados.

Com base nos fatos apresentados, é correto concluir que , muitas vezes, a mídia carece de informações concretas para divulga-las, logo, é necessário que haja maior investigação dos fatos antes de leva-los ao público, evitando assim alardes e inquietação desnecessária. Além disso, é necessária uma reformulação da conduta ética dos jornalistas durante sua formação, para que estes valorizem a democratização da verdadeira informação, mesmo que em detrimento da audiência.