Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

A série britânica, “Black Mirror”, exibe em um de seus episódios uma jovem, Victoria, a qual acorda atordoada, e ao sair de casa é perseguida por alguns estranhos; durante sua fuga é cercada por pessoas, as quais não a ajudam e sentem prazer em filmar seu desconforto com aparelhos celulares. Hodiernamente, no Brasil, a situação não é tão distante ao drama, visto que a mídia preocupa-se em buscar, prioritariamente, repercussão e esquece de humanizar cada indivíduo, tratando-os como personagens. Sob essa perspectiva, é válido discutir sobre a influência midiática nos comportamentos da sociedade, assim como esta torna-se propagadora das notícias e atitudes violentas expostas pelos meios de comunicação.

Em primeiro plano, torna-se imprescindível destacar que apesar de a Revolução Técnico-Cienífico-Informacional, no século XX, ter sido fundamental para a propagação das ideias e estreitamento entre as relações mundiais, ela trouxe inúmeros prejuízos relacionados às atitudes da população. Tal fato é confirmado através do aumento no número de casos de crimes violentos no Brasil, o qual segundo o Ministério da Saúde, ultrapassa os níveis do mundo. Assim, pode-se relacionar este crescimento com a potencialização da mídia e seu caráter manipulador de massas, o qual algumas vezes normaliza atrocidades, ao apresentar, demasiadamente, atos violentos, e assim, gera apoio implícito a estes.

Ademais, pode-se demonstrar que o poder social exercido pela mídia é prejudicial à condução do valor dado à vida. Tendo em vista que a frequente busca pela atenção faz com que a mídia proceda informações não fundamentadas à sociedade e esta torna-se, frequentemente, apoiadora e propagadora da violência no meio virtual. À vista disso, surge a banalização da vida e a falta de respeito com o próximo, assim como acontece na série com a personagem Victoria, a qual independente de ter sua identidade de vilã revelada, consegue transpassar as consequências psicológicas, as quais uma sociedade individualista traz. Há dados reais que mostram isso, como o da OMS , o qual evidencia o Brasil como o país mais ansioso do mundo, e uma parcela é devido à mídia brasileira, a qual é rodeada por competições, não se preocupa com o lado sensível do espectador e acaba prejudicando-os.

Conclui-se, portanto, a necessidade urgente de mudança na posição da mídia, visando a diminuição de casos no que diz respeito à violência no Brasil. Esta transformação acontecerá se, e somente se, houver uma melhor prática da legislação brasileira diante dos crimes, seguinte a isso, é preciso que haja uma relação equilibrada entre respeito para com os espectadores e os rendimentos da emissora. Tal fato só ocorrerá se houver a mobilização social reivindicando a veracidade das notícias e a conscientização da mídia quanto a sua função construtora de humanos ao invés de personagens.