Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de nunca ter de esclarecer os legados das misérias humanas para ninguém. Analogamente, a buscar incessante por audiência sem o menor senso crítico e a sensacionalização do sofrimento alheio enquadram-se no posicionamento do personagem, uma vez que se constituem como desafios da humanidade para mitigar as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar social.

A priori, a buscar por audiência a qualquer custo por parte dos meios de comunicação leva a uma maior banalização na forma como as informações são repassadas. Nesse aspecto, as mídias de massas em especial as mais tradicionais como a televisão tendem a se aproveitar do temor que muitos brasileiros tem em relação falta de segurança pública para divulgação de matérias sensacionalistas. Logo, o Brasil vai ao encontro da homogeneidade social proposto por Bauman, demonstrando a imprescindibilidade de propostas que contenham a problemática.

Além disso, vale ressaltar que de acordo com o filósofo Michael Foucault em a “A Microfísica do Poder”, as diferentes instituições sociais exercem uma relação de dominação para com o indivíduo. Sob essa análise, é notável que a sensacionalização da dor de terceiros é uma ferramente muita utilizada por diversos jornais na busca por visibilidade, como já mencionado anteriormente. Nessa sentido, esse infortúnio é legitimado pela omissão de um jornalismo mais responsável com a qualidade e com o modo como suas noticias são direcionadas aos telespectadores.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Dessa maneira, cabe ao Poder Legislativo, por meio de debates entre congressistas e senadores, que é a melhor maneira de garantir-se o bem estar e a qualidade da como as informações são passada a diante no país, é discutir modos de fiscalização e punição a órgãos da mídia que usem métodos apelativos de glamourização da violência para conseguir visibilidade, isso  é claro sempre respeitando a liberdade de expressão dos meios de comunicação. Dessa forma, o Brasil tornar-se-á mais justo e coeso, aproximando-se do bem estar social e de um legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.