Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/03/2020
O escritor francês Guy Debord discute no livro “Sociedade do espetáculo” o processo atual de espetacularização sofridas pela sociedade. Ademais, a sociedade especta cenas de violência como algo natural há muito tempo, e sem perceber segue alimentando um ciclo de apatia e medo do próximo. Dessa forma, torna-se essencial entender esse processo e sua repercussão.
Em primeiro lugar, ter violência como forma entreterimento é uma tática usada pela humanidade há centena de anos. Na Roma antiga, por exemplo, a população ia para anfiteatros, como o Coliseu, para poder assistir à lutas. Analogamente a isso atualmente a mídia propaga diariamente várias cenas sobre homicídios, estrupos e assaltos, que servem ao propósito de entreter, amendontrar e cada vez mais banalizar a violência com o outro. Sendo assim, nas últimas décadas, com a força da mídia aumentando, torna-se praticamente impossível de fugir dessa dose diária de conteúdo.
Por conseguinte, existe a ideia de que a violência é constante, e as pessoas que podem procuram de qualquer maneira para se manterem em segurança. Consequentemente a isso está uma Indústria do Medo, que segundo o jornal francês LeMonde, cria uma classe de potenciais inimigos na mente das classes mais abastadas, que procuram proteção ao mover essa indústria comprando câmeras de segurança, cercas elétricas ou indo a shoppings em regiões “mais seguras”. Portanto, por trás dessa antiga demonstração diária de violência está também uma rede de serviços de segurança privada que mentalmente supre uma responsabilidade do estado.
É indubitável afirmar como o ser humano está tornando-se mais frio e distante. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, todas essas cenas de crimes dia conforma a população, que começa a banalizar tais atitudes com os outros, semelhante ocorre no episódio “Urso Branco” da série BlackMirror, em que uma criminosa é condenada a ser uma atração de um parque, e assim coloca em questão sobre até onde a sociedade consegue banalizar e se utilizar do sofrimento alheio. Logo, a sociedade está tornando-se cada vez mais individualista e egoísta, tratando violência como uma coisa distante de si.
Em virtude dos fatos mencionados, vale ressaltar que essa engrenagem é velha e é preciso de uma grande mudança para mudá-la. Por isso, o Ministério da Segurança deveria investir mais em programas de segurança pública com medidas menos violentas através de campanhas virtuais em redes sociais que incentivem e facilitem a denúncia de casos suspeitos, auxiliando na apuração de casos, a fim de diminuir ainda mais a necessidade da procura em redes privadas para garantir o direito da segurança da população e evitando mais cenas trágicas. E por fim, a sociedade parará de encarar a violência como um espetáculo, mas sim como uma crise do estado.