Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 18/03/2020
A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a liberdade de expressão e o uso da mídia para tal. No entanto, a falta do senso comum e de um jornalismo com seriedade e compromisso tem tornado muitos casos de violência um espetáculo. Isso se evidencia não só nas inúmeras calúnias e inverdades que visam audiência, como também o crescimento de notícias no contexto jornalístico com a finalidade de sensibilização.
Em primeira instância, é importante ressaltar que o número de falsas histórias tem se multiplicado, e muitas pessoas sofrem danos. Prova disso foi o ocorrido em Guarujá, São Paulo, que segundo o jornal O Globo, em 2014, uma mulher foi espancada até a morte, pois inverdades foram divulgadas ressaltando seu envolvimento com a magia negra com crianças. Nesse viés, percebe a falta de senso crítico da população e a necessidade de espalhar fatos sem saber sua veracidade, com o objetivo de influenciar, gerar curtidas e compartilhamentos nas redes sociais. Dessa forma, o tecido social é enganado e muitos sofrem danos irreparáveis.
Ademais, convém relacionar que a imprensa tem se preocupado muito com a sensibilização de uma grande parcela da comunidade. Exemplo disso foi a reportagem da TV Globo em 2014, na praça do Realengo, no Rio de Janeiro, em que um jovem que roubava na região foi amarrado e espancado em um poste. Porém, os meios de comunicação de massa enfatizaram as cenas do rapaz preso ao poste e do sangue, mas não ressaltou a questão da impunidade, falta de segurança e a importância de procurar os meios legais para combater práticas ilegais, como o roubo. Logo, a sociedade não é ensinada a refletir e criticar os fatos, mas apenas a se sensibilizar por eles.
Fica claro, portanto, que medida são necessárias para resolver esses impasses. Cabe ao Ministério da Educação em consonância com as escolas, fornecer palestras e debates em grupos com a finalidade de melhorar o senso crítico dos alunos, além de adicionar disciplinas que informem o perigo das redes sociais e as diversas fake new nesse meio, assim, os alunos não se preocuparam com os espetáculos e, sim, com a veracidade. Por fim, os meios midiáticos e jornalístico devem fornecer notícias verídicas, além de buscar o senso reflexivo do tecido social, estabelecendo regras mais rígidas e aumentando a análise de todos as publicações, com o objetivo de proibir aqueles feitas apenas para mover as percepções sensoriais.