Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

O jornalismo é essencial para a manutenção de um regime democrático, entretanto, utilizando-se dessa prerrogativa, alguns noticiários fogem do código de ética desse setor. Partindo desse distanciamento, o sensacionalismo imposto no tratamento de reportagens violentas esquece que, por trás da notícia, há familiares e vítimas sofrendo psicologicamente. Nesse viés, é preciso salientar a responsabilidade social do movimento midiático.

A priori, cabe ressaltar o motivo dessas notícias estarem ocupando a rotina dos indivíduos. De acordo Guy Debord, criador do conceito “sociedade do espetáculo”, não há como desvincular a produção de imagens (nesse caso, incorporada pela mídia) do sistema capitalista; ou seja, as reportagens estão diretamente envolvidas com o poderio econômico, de forma que geram cada vez mais lucro por agirem atraindo o telespectador. Assim, é possível perceber que o compromisso social da mídia é banalizado, o que vai de encontro à ética do bem estar da população.

Além do fator econômico como parte da espetacularização, faz-se necessário enfatizar o impacto na vida social. As consequências pós banalização de uma notícia violenta perpassam por incentivo à justiça com as próprias mãos e perturbações psicológicas. Um grande exemplo dessa perturbação está presente nos familiares e amigos de Eloá, adolescente sequestrada e morta em 2008 pelo ex-namorado; durante o ato violento, a jornalista Sônia Abrão fez uma cobertura maçante, além de manter contato com o sequestrador, de forma despreparada, em rede nacional. O fim, infelizmente, foi trágico, todavia, Sônia Abrão, 12 anos depois, ainda é conhecida por banalizar sentimentos de milhões de brasileiros e interferir no trabalho policial em troca de audiência.

Infere-se, portanto, que a mídia é um importante setor de formação de opinião, e, dessa forma, deve ter responsabilidade com a maneira de transmitir as notícias. Nesse sentido, é papel do Ministério da Comunicação regulamentar todo o serviço midiático, procurando, de todo modo, manter o princípio da liberdade de expressão e a responsabilidade do código de ética jornalístico. Desse modo, a fim de não impactar negativamente no cotidiano da população, o ministério deve constantemente relembrar que informação não significa espetacularização, e por isso, deve ser tratada com imparcialidade e maestria. Assim, o cidadão é respeitado diante o direito à informação e, por fim, prezado diante a banalização da violência.