Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Segundo Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, devemos promover coragem onde há medo, o acordo onde existe conflito e inspirar esperança onde há desespero. Entretanto, as mídias brasileiras se promovem através da espetacularização da violência e gera consequências como a justiça com as próprias mãos e a banalização da violência. Isso ocorre devido a questões como a ineficácia da Justiça no país e a coisificação a violência, que aliena a população. Por isso, esse conflito entra em questão.

É inegável que a justiça com as próprias mãos é uma consequência da espetacularização da violência pelas mídias e é causada pela ineficácia judiciária. Afinal de contas, é resultado da indignação do povo com a lentidão do Poder Judiciário do país. Esse fato leva à necessidade de justiça da população, que ao consumir o conteúdo sente-se no dever de fazer algo, já que o descaso do Estado agrava esse sentimento. Como o caso de 2016, do caminhoneiro Juvenal Paulino de Souza, que foi espancado até a morte no Paraná, após ter sido acusado de violar duas crianças, mas declarado inocente após um exame de corpo de delito nas crianças. Nesse contexto, o líder pacifista Mahatma Gandhi afirma que “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”. Logo, é essencial que as pessoas passem a compreender que justiça com as próprias mãos não é justiça, e sim crime.

Outrossim, a banalização da violência está diretamente relacionada à alienação que as mídias disseminam. Fato que se assemelha ao que Hannah Arendt cita quando trata do conceito da “banalização do mal”, o qual diz que ela ocorre quando as pessoas param de dar importância aos acontecimentos por já estarem acostumadas. Ademais, essa banalidade pode ser intensificada, por influências da indústria cultural, que através da sua “coisificação” transforma tudo em objeto, inclusive o homem. Então, por essa razão, transformam o mal em algo banal, através da massificação e manipulação que visa apenas o consumo da notícia pelas pessoas. Assim, é essencial uma solução que acabe com essa alienação e a resolva completamente.

É importante destacar que Confúcio, filósofo chinês, afirma que não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros. Diante disso, é preciso que o Ministério da Justiça seja mais rigoroso em suas punições a pessoas que optam a violência como modo de justiça, por meio de multas mais caras e um maior período de detenção, para que esses conflitos deixem de acontecer. Ademais, o Governo, por intermédio do Ministério da Educação, deve promover palestras e debates em escolas, dadas por profissionais da área, a fim de favorecer o desenvolvimento de uma consciência crítica no povo. Desse modo, as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira e suas causas ficarão apenas no passado.