Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

Roma Antiga. Coliseu. Gladiadores. Tais frases nominais representam não apenas uma forma de entreterimento da Antiguidade Clássica, como também estão intimamente relacionadas a um acontecimento cada vez mais constante na atualidade: a espetacularização da violência. Desse modo, é evidente que, em contexto brasileiro, essa exaltação da violência feita pela mídia deve ser minimizada. Nesse aspecto, discutir as consequências desse fator para as crianças e para os adultos é fundamental.

Em primeira instância, é fato que a indústria de videogames e de filmes está sempre tentando se atualizar e trazer novas modalidades constantemente, a fim de vender mais e atingir um público maior. Assim, isso fez com que muitos jogos para crianças tivessem como tema a violência, a exemplo do famoso Mortal Kombat, jogado mundialmente. Dessa forma, há a naturalização das lutas e dos combates, que passam a ser vistos como cotidianos, sendo apenas mais um modo de entreterimento infantil. Com essa naturalização, há a exaltação desses atos violentos e as crianças passam a repetir o que veem nesses jogos por acharem que é um ato legal, tornando-se, assim, violentos também.

Além disso, Max Weber afirmava que apenas o Estado tem o direito do monopólio da força; desse modo, não caberia a nenhum cidadão fazer violência. Entretanto, isso não é o que acontece na realidade, onde muitas pessoas tentam fazer justiça sozinhas, sem essa ajuda do Estado. Isso muitas vezes ocorre em decorrência da espetacularização pela mídia sobre a violência, que faz a população acreditar o criminoso em questão é tão rebaixado que não pode ser mais considerado ser humano. Assim, isso ocorre frequentemente sem a apuração adequada do ato criminoso, em decorrência da velocidade de propagação atual da mídia e da busca constante por audiência pela mídia.

É necessário, portanto, medidas para conter essas consequências da glorificação da violência pela mídia. O Governo brasileiro deve propor uma lei que proíba o desenvolvimento de jogos violentos para crianças, e isso deve ser concretizado por meio de multas a todas as empresas que infringirem essa norma, além de fiscalização assídua aos novos jogos lançados. Isso deve ocorrer a fim de que as crianças deixem de ser influenciadas à violência e para que os atos violentos deixem de ser tratados como algo normal. Assim, finalmente poderá deixar de ocorrer o que acontecia já nas lutas gladiadoras da Roma Antiga.