Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

O conceito de violência envolve aspectos antropológicos e sociológicos, visto que entende-se que a mesma está ligada aos instintos humanos e admite divergências de interpretação provenientes do sistema e comportamento social local. Em 2019, houve cerca de 42 mil mortes violentas no Brasil, um número enorme se posto em escala global. Qual o papel da mídia nesse contexto e como a cobertura de casos violentos afeta a população?

Sabendo que os veículos de comunicação estão cada vez mais se apropriando de táticas sensacionalistas e apelativas em prol da busca por audiência, dois grandes fatores surgem como consequência dessa espetacularização: a banalização da vida e normalização da violência. Ao realizar a cobertura e divulgação de delitos, a informação jornalística já não basta e o foco se volta para os detalhes da situação, dando destaque e engrandecendo a violência.

Ao levar esses acontecimentos ao extremo, a mídia brasileira gera um interesse pelo crime, como foi o caso de Isabela Nardoni, uma menina que foi atirada de um prédio residencial em São Paulo no ano de 2008. Essa tragédia foi excessivamente noticiada em todos os jornais por semanas, mesmo com a ausência de novos fatos. Imagens e opiniões repetidas eram propositalmente exibidas durante grande parte do dia, o que fez com que a morte da garota e o ato de violência inaceitável cometido parassem de ser relacionados à uma tragédia e um crime e passassem a ser tratado como algo do cotidiano, comum.

Tendo em vista os fatos mencionados, o jornalismo no Brasil tem se corrompido devido à sede por visibilidade. Assim, cabe ao Estado e a Iniciativa Privada investirem em suas respectivas instituições, como escolas e universidades, para a capacitação dos futuros profissionais da área jornalística. O MEC, por ser responsável por todo o sistema educacional brasileiro, tem papel fundamental na sua administração a aplicação das diretrizes do Plano Nacional de Educação.