Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/03/2020
“No livro “1984 “de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, a fim de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Winston, um funcionário do contraditório Ministério da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do Partido e formar a população através de tal ótica. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Orwell pode ser relacionada a sociedade brasileira do século XXI: gradativamente, a manipulação e superexploração de notícias para a espetacularização da violência corroboram para influência no aumento da audiência em instrumentos de mídia e exposição de vítimas à sociedade, saciando o apetite do brasileiro pelo trágico, presos em uma grande bolha sociocultural.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da busca de jornais pelo aumento exacerbado da audiência por notícias sensacionalistas, interlocutores são expostos diariamente a uma gama ilimitada de informações violentas, consequência da negligência jornalística, que fere o espaço de debate no âmbito informacional e o sobrepõe com notícias errôneas para o crescimento do seu público.De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade ilusória, já que o mundo globalizado não só possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a manipulação e alienação semelhantes vistas em “1984”. Assim, brasileiros são expostos inconscientemente ao consumo pelo fascínio pela à tragédia humana.
Consequentemente,com a busca pela divulgação de fatos em primeira mão e distorção da verdade em consonância a influência que os meios de comunicação despertam pelo interesse ao que é trágico no brasileiro, vítimas são expostas a um prejulgamento social diariamente, privando essa parcela da sociedade de se manifestar e superar o que ocorreu. Além disso, nega a toda sociedade o direito a informação e transparência previsto no código do consumidor.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes de comunicação que detalhem o caráter informativo das notícias e advirtam os interlocutores do perigo da alienação, sugerindo ao interlocutor criar o hábito de buscar informações de fontes variadas. Somente assim, será possível combater o caráter sensacionalista das notícias e, ademais, estourar a bolha que, da mesma forma que o Ministério da Verdade construiu em Winston de “1984”, as mídias estão construindo nos brasileiros.