Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 18/03/2020

A espetacularização da violência pela mídia brasileira gera consequências negativas à população. É fato que, os espaços midiáticos contribui com a democracia, no entanto, existem mecanismos que prejudicam essa finalidade, como na Alemanha Nazista, onde havia o controle total diante das informações. No caso do Brasil, o problema referente ao assunto trata-se da audiência como meio para obtenção de lucro, através do sensacionalismo, naturalização de conflitos e comoção populacional.

Deve-se compreender inicialmente, que a mídia nacional é  influenciada pelo sistema capitalista, de modo que, a obtenção de lucro se tornou a maior finalidade. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Adorno, onde a banalidade da violência está diretamente relacionada com a indústria cultural, ou seja, assim como  a arte, as informações também se transformam em mercadoria, e para que sejam vendidas, utiliza-se da comoção populacional. Desse modo, a necessidade de audiência, gera um jornalismo invasivo, desrespeitando o espaço de vítimas e familiares.

O caso conhecido como “Cinco do Central Park”, ficou famoso pela prisão de cinco jovens negros e inocentes, decorrente da ação jurídica racista, e manipulação dos indivíduos pela mídia. É evidente que o sensacionalismo midiático, utiliza mecanismos preconceituosos para reforçar a violência e esteriótipos até os dias atuais. Observa-se a marginalização de áreas periféricas e a criminalidade associada a negros, influenciando na formação de uma população insegura e racista.

Portanto, são necessárias medidas para mitigar o problema. É ideal a criação de leis que definam os limites da invasão midiática na vida dos indivíduos, assim como o fim do imediatismo que espalha notícias errôneas, por meio do Poder Legislativo, afim de propagar o jornalismo responsável, juntamente de ações afirmativas visando o fim dos preconceitos e democratizando o espaço, com apoio Governamental e palestras educacionais nas escolas, sobre os riscos da espetacularização atual. Espera-se ações mais responsáveis, possibilitando a reflexão.