Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 01/04/2020

A  Revolução Técnico-científico-informacional da segunda metade do século XX, proporcionou a expansão da comunicação e, com isso, os canais televisivos tornaram-se uma forma de entreterimento da população. No entanto, nos últimos anos, a mídia brasileira tem espetacularizado a violência para elevar a audiência, especialmente nos chamados jornais polialescos. Diante disso, observa-se a ausência de fiscalização e o choque de direitos fundamentais como motivadores dessa problemática que acarreta consequências aos espectadores.

Inicialmente, é possível destacar o Artigo 221, na Constituição Federal, cujo texto reitera que a programação das emissoras de televisão deve dar preferência a finalidades educativas, artísticas e culturais. Porém, o cenário atual vai contra esse código em noticiários sensacionalistas, os quais durante toda exibição, relatam casos de agressividade e assuntos relacionados a isso. Por conseguinte, o cidadão que assiste, acredita na repressão brutal para quem pratica atos ilícitos como a melhor solução, baseado em frases como “bandido bom é bandido morto”, rotineiramente profanadas pelos apresentadores. Logo, é incabível que o Brasil ainda não conte com a presença de órgãos regulamentadores, a exemplo da França e Reino Unido, que já possuem o serviço de supervisionamento da mídia, pois essas ações colaboram para disseminação acentuada da violência.

Em uma segunda análise, é preciso salientar que os meios de comunicação possuem uma função social no país e devem promover a informação de modo imparcial e objetivo, assim como determina os princípios do jornalismo. Todavia, em muitos programas tem-se uma intersecção entre os direitos humanos e liberdade de expressão, e isso se deve ao fato de que nessas veiculações ocorre exaltação da lei acima do ser humano. Entretanto, os impactos em uma criança são enormes, já que ela pode criar conceitos advindos do que ouve e há influência no comportamento dela, tal qual evidencia o filósofo inglês, John Locke, em sua teoria da Tábula-Rasa, em que para ele, as experiências moldam o caráter de um ser e, assim, o ouvinte passa a repetir e incorporar padrões  vistos. Desse modo, torna-se imperioso a atuação do governo nesse desafio.

Fica claro, portanto, que a exposição exacerbada de atos violentos na televisão promove muitas consequências aos cidadãos. Por isso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Poder Legislativo, implantar políticas para melhorar a qualidade do jornalismo brasileiro, por meio da fiscalização das reportagens e a criação de um canal para receber denúncias da população sobre essas, com o fito de restringir a divulgação de informações que corroboram para a propagação de condutas prejudiciais à sociedade.