Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 21/03/2020
De caráter informativo, seguindo as normas da função referencial da Língua Portuguesa, a mídia tem o dever de noticiar informações de forma objetiva e verídica. No entanto, vê-se que, no Brasil, diante de múltiplos impasses, os veículos de comunicação, como telejornais, realizam uma espetacularização da violência, utilizando-a com objetivo lucrativo e cooperando com uma desordem social. Diante disso, torna-se relevante analisar as consequências dessa questão.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que, apesar dos meios de comunicação representarem um aparato de democratização informacional, eles, por um lado, fomentam a alienação social. Segundo o escritor brasileiro Sergio Schecaira, a mídia é uma fábrica ideológica condicionada, pois não hesita em alterar a realidade dos fatos. Seguindo tal linha de pensamento, nota-se que os telejornais priorizam notícias sensacionalistas não condizentes com a real situação da violência, atraindo a atenção do público e gerando um bolha noticiária manipuladora. Em consequência disso, visões distorcidas por parte da sociedade são provocadas, o que representa um fator preocupante para o desenvolvimento humano.
Ademais, convém analisar os efeitos psicológicos dessa problemática. Nesse contexto, observa-se que em decorrência dessa espetacularização, a sensação de insegurança e medo é aumentada na sociedade brasileira, visto a divulgação de imagens exageradas acerca da violência, que incentivam pensamentos negativos e depressivos nos indivíduos. Isso se relaciona, por exemplo, com a ideia do filósofo Bauman, o qual caracteriza o homem como um ser guiado pela ansiedade constante numa era de temores.
Portanto, para desintegrar este cenário de domínio neurológico, as instituições de ensino brasileiras, em parceria com órgãos de segurança e da saúde mental, devem, por meio de aulas de sociologia, instruir a população acerca dos cuidados que devem ser tomados diante de alguns fatos noticiados, incentivando ideias mais coerentes com a realidade e tentando amenizar a ansiedade social que é provocada. Além disso, é dever da Ministério de Comunicação fiscalizar o método de transmissão ultilizado pelas empresas do ramo. Assim, será possível legitimar os ditos da função referencial no país.