Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/03/2020
No livro “O Vilarejo”, de Raphael Montes, as pessoas de uma pequena vila passam a matar umas as outras e tornam-se fascinadas pelo horror. Fora da literatura, no Brasil, a espetacularização da violência pela mídia, semelhantemente à narrativa, faz com que a brutalidade se transforme em entretenimento e incita, inconscientemente, a agressividade nos cidadãos.
O episódio “White Bear” da série “Black Mirror” retrata a história de uma mulher condenada por assassinato, a qual é posta como atração em um parque de diversões, onde, enquanto ela era perseguida por torturadores, as pessoas a filmavam incessantemente. De maneira análoga à ficção, a cobertura da mídia de casos de estupros, assassinatos, dentre outros crimes, promove, na sociedade hodierna, o vício em consumir esses conteúdos. Diante dessa conjuntura, Hannah Arendt afirmou que a humanidade vive um processo de banalização do mal, a qual abandona seu senso de justiça e passa se entreter com a crueldade, tratando-a como uma trivialidade. Nesse prisma, a promoção de conteúdos sobre a violência pela mídia ocasionou na visão da brutalização como uma categoria de entretenimento.
Outrossim, segundo o psicólogo Carl Jung, o ser humano, ao ser exposto a um determinado conteúdo diversas vezes, absorve-o no seu subconsciente e, por conseguinte, passa a ter seu comportamento condicionado por ele. Diante desse fato, o consumo, incentivado, lamentavelmente, em excesso pela mídia, de matérias relacionadas à agressão, motiva, inconscientemente, a pessoa a cometer atos violentos e criminosos. Dessa forma, conclui-se que a espetacularização da violência pelos veículos de informação, como consequência, gera, de modo subliminar na mente dos indivíduos, seres humanos agressivos na sociedade.
Dessarte, medidas são necessárias para reduzir os impactos da promoção de artigos sobre eventos de brutalidade pela mídia. Para tal, é fulcral que o Ministério da Defesa, que é o órgão responsável por manter a ordem social, através da proibição de coberturas jornalísticas nos casos de crimes, diminua a promoção de notícias sobre violência pelos veículos de informação, a fim de que haja mais cidadãos não agressivos e que repudiem qualquer ato violento. Dessa maneira, será evitado que a fascinação pelo horror, retratada no livro “O Vilarejo”, seja uma realidade no Brasil.