Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/03/2020
A obra cinematográfica “O Abutre”, relata a história de Louis, um jovem cinegrafista investigativo que anseia em ser reconhecido no ramo jornalístico e, para atingir seu objetivo, adota atitudes extremas, alterando as cenas de fatos, a fim de conquistas às redes locais de televisão. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a espetacularização de violentas tragédias nos jornais e demais meios informativos, no intuito de obter uma fonte rentável com a disseminação de tais conteúdos. Nessa perspectiva, esse desafio deve ser superado.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Constituição Federal de 1988, quanto aos direitos assegurados sobre a propagação de informações e a liberdade de imprensa dos meios midiáticos, que passam a exercer um compromisso com a sociedade civil ao escrever, informar e denunciar, de maneira íntegra e fiel, a tudo que remete notabilidade pública. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido no atual cenário brasileiro, que sofre com o advento das distorções informativas.
Faz-se mister, ainda, salientar os efeitos resultantes desse fenômeno. De acordo com os teóricos da Escola de Frankfurt, a população vive sob o conceito da Industrialização Cultural, que carateriza-se pela ação capitalista perante diversos âmbitos sociais, dentre eles, a cultura e a informação, que são incansavelmente modificados e moldados com o objetivo de colonizar a manipular o indivíduo e torná-lo facilmente atingível pela comercialização e massificação daquilo que é divulgado pela indústria.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para contornar o emblema. Urge que o Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas governamentais, promova campanhas, com profissionais capacitados, para conscientizar e instruir a população brasileira a respeito do problema, detalhando seu mecanismo e consequências. Ademais, o Estado deve ponderar quanto a necessidade da criação de um órgão fiscalizador responsável pela verificação etiológica do que é divulgado, com o propósito de garantir a finalidade temática à sociedade brasileira. Dessa forma, o Brasil pode superar a espetacularização de fatos propagada pela mídia.