Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 27/03/2020

O filme O Abutre mostra a ascensão do jovem Louis Bloom no jornalismo criminal, ao vender as cenas capturadas para televisão percebe que quanto maior o drama e o escândalo mais valiosas se tornavam. Logo, o personagem torna-se refém de sua própria obsessão de ser o melhor em sua profissão e chega ao extremo ao facilitar, promover acidentes e alterar cenários criminais a fim de obter imagens mais atraentes. Não muito distante, a industria de mídia brasileira também reverbera e banaliza a violência, violando direitos e estimulando crimes em troca de maior lucro e audiência.

A função objetiva do noticiário é fornecer informações aos espectadores sobre a comunidade, entretanto, na busca de maiores ganhos, exploram a violência e a tragédia pois essas tendem a emocionar e chamar mais atenção dos ouvintes. Como por exemplo no caso do programa Cidade Alerta, em que foi anunciado ao vivo o assassinato de uma filha a sua mãe, desrespeitando familiares da vítima e outras pessoas emocionalmente afetadas pelo ocorrido.

Além disso, segundo o sociólogo Émile Durkheim o indivíduo é moldado segundo parâmetros, regras e modelos de uma sociedade, sendo assim a mídia tem grande responsabilidade, uma vez que é a maior difusora de modelos comportamentais e valores morais. A forma em que se exibe de forma tão detalhada processos de crimes e condutas violentas afetam diretamente o cidadão. Segundo a Associação Médica de Psiquiatria existem evidências que confirmam, o entretenimento violento é um fator causal das atitudes e comportamentos agressivos.

Portanto, somente alertas éticas não são suficientes, cabe a Comissão de Direitos Humanos da Câmera Federal, por meio de campanhas fazer com que a lei da imprensa seja conhecida pela população e estimular a denuncia de programas que vão contra os direitos humanos e constituição federal, sendo multados e respondendo pelos abusos, boicotando por fim o sensacionalismo midiático.