Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 20/03/2020

Os veículos jornalísticos têm mantido as pessoas informadas ao longo dos seus vários anos de existência. Contudo, nota-se que nas últimas décadas vem ocorrendo o processo de transformação na transmissão das notícias ao público. O nome desta mudança é jornalismo sensacionalista.

Atualmente, grandes emissoras de TV aberta tem reservado em sua programação telejornais de longa duração que tratam exclusivamente da selvageria na sociedade. Essa espetacularização de homicídios nesses programas alavancam a audiência, porém geram alguns problemas como a naturalização da violência em nosso cotidiano. A grande exposição destes casos faz com que os telespectadores fiquem revoltosos e sintam a necessidade de agir pelos próprios meios para fazer justiça.

Por exemplo, em 2014 uma mãe de duas crianças foi espancada pelos vizinhos por supostamente sequestrar crianças para a prática de magia negra, ela foi levada ao hospital mas não resistiu. Este caso é uma prova de que embora o poder judiciário seja lento, ele é ainda o melhor mecanismo para fazer a justiça acontecer de maneira correta.

Há também dados de que nos últimos 60 anos 56% das vítimas de linchamento foram mortas enquanto eram espancadas, isto é, pessoas que foram agredidas enquanto ainda eram somente suspeitas de terem cometido crimes.

Pode-se concluir que a exposição excessiva à violência tem gerado comportamentos sociais que são contra as normas de uma sociedade civilizada e que para amenizar esse efeito grotesco os veículos disseminadores destas informações devem ter mais tato ao transmití-las ao público, afinal, a função do jornalismo é informar e não expor o sofrimento humano.