Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/03/2020

Buscando sobressair-se e amplificar sua audiência, em um período alicerçado na instantaneidade de passagem de informações pelos veículos midiáticos, diversos casos de espetacularização da violência são explicitados em inenarráveis âmbitos da sociedade brasileira. Embora contenham algo de verossímil, o índice de informações errôneas, as quais intentam alarmar a população, é exponencial. Dessa maneira, visualiza-se uma naturalização da violência, tornando-a estrutural e parte do sistema, além de aumentar a insegurança nacional e contribuir para a ocorrência de um determinismo da violência.

Concebida no Renascimento, a primeira máquina de impressão possibilitou a difusão em massa de livros e jornais, contendo informações diversas, que a estabelece como primeiro meio midiático de alcance global. Contudo, séculos passados, a mídia original cedeu lugar à Indústria Cultural e à sua valorização da reprodutibilidade técnica, como citada por Benjamin, filósofo da Escola de Frankfurt, cujos preceitos visam à amplificação da audiência por intermédio da espetacularização da mais alarmante problemática hodierna, a violência. Logo, delineia-se a gênese do impasse supracitado.

Outrossim, segundo estudos da Escola de Chicago, viver uma realidade de constante violência engrenda certo determinismo que contribui para sua ocorrência, uma vez que esta é naturalizada, tornando-se estrutural. Ainda que muitas informações instantâneas sejam errôneas, a insegurança concebida pela comunidade é implacável. Por conseguinte, compreende-se uma das inúmeras causas da violência hodierna, bem como suas consequências para a vida em sociedade, permeada de estresse e de terror.

Destarte, medidas são imprescindíveis para o combate à problemática. É mister que o Código de Ética seja respeitado pelos veiculadores midiáticos, a partir de verificações no conteúdo pelo poder judiciário brasileiro, buscando amenizar os feitios da Indústria Cultural. Ademais, a fim de atenuar o determinismo proposto pela Escola de Chicago, bem como a insegurança, é importante que o Tribunal do Júri diminua a atuação da mídia nas decisões ainda não proferidas, evitando a divulgação de informações falsas e de sensacionalismos. Assim, a mídia voltará a seus preceitos formados na gênese da primeira máquina midiática, atenuando a espetacularização da violência.