Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/03/2020

Em 2008, Eloá Cristina foi mantida em cárcere privado pelo seu ex namorado. A maioria dos noticiários romantizaram o crime, alegando que o mesmo fez tal ato por “amor”, além de noticiar a negociação com a polícia, onde o sequestrador tinha contatos que o informavam o que estava acontecendo, resultando na morte da jovem.  No século XXI, a tentativa de audiência do jornalismo brasileiro tem resultado na banalização da violência e exposições humilhadoras e sensacionalistas.

A priori, nota-se a necessidade de atenção das emissoras brasileiras, as quais apelam pelo drama televisivo. “Schadenfreude” é uma palavra alemã dada a uma reação cerebral que nos faz sentir prazer em assistir alguém, considerado mal por nós, sofrer. Constata-se que, estruturalmente, o brasileiro aprecia casos criminais sensacionais e que denotam a violência, sem pensar nas consequências negativas que a exposição de negociações de reféns ou a própria humilhação das famílias, mostrando cenas de choro e assediando com perguntas desnecessárias. Tal como a entrevista da mãe de um dos atiradores do massacre de Suzano, que sofre com vício de drogas, a entrevistando despreparada enquanto andava na rua.

Ademais, o aumento de jornais considerados “informais” tem crescido respectivamente, por exemplo, Tv correio, da paraíba, onde, além de apresentar conteúdos violentos e humilhar presidiários e entrevistados, o principal repórter conhecido como “Mofi” não é formado em jornalismo. Além disso, a facilidade da tecnologia tem influenciado, visto que o compartilhamento de imagens violentas pelos grupos de Whatsapp. “Mesmo depois da morte, a memória, a imagem, a honra das pessoas continuam a merecer a tutela da lei. Essa proteção é feita em benefício dos parentes do morto, para se evitar os danos que podem sofrer em decorrência da injusta agressão moral a um membro da família já falecido”, diz trecho do Código Penal.

Em suma, o assédio midiático tem mostrado diversas consequências, resultando até mesmo em morte. Desse modo, é necessário que a ANJ (Associação Nacional de Jornais) reveja seu código moral de acordo com o código penal, reavendo o vazamento de informações de imagens, e do governo, demonstrando ser ilegal o assinar a carteira de trabalho de quem não é formado em comunicação trabalhar na área midiática, e dar mais atenção aos desconfortos causados por repórteres que agem de forma sensacionalista e sem permissão de imagem de algumas pessoas.